A investigação do estupro coletivo em São Miguel Paulista avançou após a irmã de uma das vítimas identificar o irmão em um vídeo que circulava nas redes sociais. A denúncia foi feita três dias após o crime, e a polícia enfrentou dificuldades para localizar as famílias, que fugiram da comunidade por medo. Atualmente, quatro dos cinco envolvidos já foram detidos.

Irmã da vítima de estupro coletivo em SP denunciou o crime após ver vídeo nas redes sociais (Foto: Reprodução)
Irmã da vítima de estupro coletivo em SP denunciou o crime após ver vídeo nas redes sociais (Foto: Reprodução)

Logo após o secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo em exercício, Osvaldo Nico Gonçalves, se reunir presencialmente com os agentes do 63º Distrito Policial (Vila Jacuí), responsáveis pelas investigações do estupro coletivo contra duas crianças de 7 e 10 anos em São Miguel Paulista, na zona leste de São Paulo, ocorrido no dia 21 de abril, foi concedida uma entrevista coletiva à imprensa para divulgar atualizações do caso.

Segundo o delegado Júlio Geraldo, titular do 63° DP, a irmã de uma das vítimas foi quem denunciou o caso de estupro às autoridades após reconhecê-lo no vídeo do crime que foi divulgado nas redes sociais. Com isso, o Boletim de Ocorrência só foi registrado três dias depois do crime, no dia 24.

(Foto: Reprodução)

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Detalhes da coletiva

De acordo com o delegado Júlio Geraldo, as primeiras informações eram muito superficiais, afinal, essa irmã, maior de idade, não morava mais com a família. Ela só denunciou o caso na delegacia após identificar o irmão nas imagens que viu nas redes sociais.

“Quando a ocorrência chegou, ela veio por uma irmã da vítima, que não trouxe sequer o local onde haviam acontecido os fatos. Então, foi necessário reconstruir toda a situação. Tivemos que ir até o local, periciá-lo, encontrar os familiares das vítimas e cuidar da proteção dessas vítimas. Elas não poderiam ser vitimizadas”, afirmou o delegado, que seguiu dando detalhes da ocorrência.

“No dia 24 recebemos os fatos; dias 25 e 26 trabalhamos para obter informações. Já no dia 27 já tínhamos todas as testemunhas ouvidas e, então, foi um processo rápido, mas muito responsável”.

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Ao todo, cinco pessoas são suspeitas de terem participado do estupro coletivo, sendo quatro adolescentes e um maior de idade. Até o momento, de acordo com informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), três adolescentes foram apreendidos, sendo um em Jundiaí e dois na capital.

Um homem de 21 anos também foi preso temporariamente com apoio da Polícia Civil da Bahia. Um quarto adolescente, que teria participado do crime, ainda não foi localizado e é considerado foragido. Pelo fato de a maioria dos suspeitos serem adolescentes, o delegado contou que precisou ter um pouco mais de cautela.

“Afinal, do outro lado, os suspeitos são adolescentes e a Justiça é muito criteriosa para a concessão de uma medida de internação para um adolescente; então, tínhamos que ter provas muito concretas”.

A delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, que também participa das investigações, contou que, por medo, as famílias das vítimas haviam ido embora da comunidade onde tudo aconteceu, o que dificultou a localização.

“A irmã soube através das redes sociais. Ela é uma irmã que não mora mais com a mãe. Quando ela viu o vídeo, identificou o irmão, veio e registrou o boletim de ocorrência. Mas ela não tinha detalhes e não sabia o local. A família saiu com medo lá da comunidade. Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Então, foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, afirmou a delegada.

Entenda o caso

De acordo com as investigações, as vítimas são dois meninos. O crime teria ocorrido no dia 21 de abril, no feriado de Tiradentes, em um campo de futebol da região.

Segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, a denúncia só foi formalizada três dias após o ocorrido. O atraso teria sido causado pelo medo das famílias em procurar as autoridades.

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Um dos pontos que mais chocam no caso é a informação de que os abusadores teriam gravado a violência e divulgado as imagens na internet. Vídeos e áudios atribuídos ao crime passaram a circular nas redes sociais, aumentando a comoção pública. O Bacci Notícias teve acesso aos conteúdos, mas optou por não divulgá-los devido ao grau de crueldade contra as vítimas.

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