A jovem Gabriella Vitória Souza Mendes, de 19 anos, afirma viver escondida e com medo após a Justiça conceder liberdade ao ex-companheiro, investigado por tentar matá-la em maio deste ano, em São Bernardo do Campo (SP). A jovem ficou em coma por quase quatro dias após as agressões e diz que precisou abandonar o emprego e mudar de cidade para proteger a própria vida. Ela relata que o suspeito fazia ameaças constantes, usou o filho de oito meses como refém no dia do crime e chegou a gravar vídeos dela inconsciente após as agressões. Gabriella pede que o ex-companheiro volte à prisão e afirma se sentir desamparada pelo sistema de Justiça.
A jovem Gabriella Vitória Souza Mendes, de 19 anos, voltou a falar sobre a tentativa de feminicídio que sofreu em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo.

Jovem foi vítima de tentativa de feminicídio (Foto: Arquivo Pessoal
Em vídeo, ela revelou que vive dias de medo e insegurança desde que o ex-companheiro, identificado apenas como J., foi colocado em liberdade pela Justiça no último dia 1º de julho.
Em entrevista, ela contou que precisou abandonar o emprego, deixar a cidade onde morava e passar a viver escondida na casa do pai, no interior do estado, por temer um novo ataque.
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Tentativa de feminicídio
Gabriella ficou internada em estado grave após ser brutalmente agredida no dia 2 de maio. Ela permaneceu em coma por quase quatro dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Urgência de São Bernardo do Campo, onde ficou entubada até apresentar melhora clínica.
Segundo a jovem, o ex-companheiro foi preso em flagrante logo após o crime, mas permaneceu pouco mais de dois meses detido antes de conseguir responder ao processo em liberdade.
Jovem relata medo do agressor retornar
A decisão judicial provocou desespero na vítima, que afirma conviver diariamente com o medo de que o agressor volte a procurá-la.
Segundo Gabriella, o homem não utiliza tornozeleira eletrônica e tem autorização para deixar a cidade por determinados períodos, além de conhecer o endereço onde ela está vivendo atualmente. Para ela, a liberdade do investigado representa um risco constante.
Mãe de bebê de oito meses
A jovem afirma que o relacionamento durou cerca de cinco anos e que os dois são pais de um bebê de apenas oito meses. Ela relata que o comportamento do ex-companheiro era marcado por ameaças e que, antes mesmo da tentativa de feminicídio, ele já dizia que iria matá-la.
Segundo Gabriella, mensagens enviadas pelo suspeito comprovam essas ameaças e fazem parte das provas apresentadas à investigação.
Filho usado como refém
Um dos relatos que mais chama atenção é o que aconteceu na madrugada do crime. De acordo com a vítima, o ex-companheiro teria usado o próprio filho do casal como refém antes de atacá-la.
Ela afirma ainda que, depois das agressões, o homem gravou vídeos mostrando seu estado de inconsciência e enviou as imagens posteriormente.
Os registros, segundo Gabriella, também foram entregues às autoridades e integram o conjunto de provas do processo, ao lado dos depoimentos prestados por policiais que atenderam a ocorrência.
Sequelas e fuga para o interior
Mesmo após deixar o hospital, Gabriella conta que continuou enfrentando dificuldades. Além das sequelas físicas e psicológicas deixadas pela violência, ela afirma que passou a sofrer provocações por parte de familiares do acusado.
Diante da situação, decidiu pedir demissão do emprego de operadora de caixa, abandonar a rotina que mantinha em São Bernardo do Campo e buscar refúgio no interior paulista, onde vive longe dos antigos conhecidos e evita divulgar sua localização.
Falta de orientação da Justiça
A jovem também faz críticas à condução do processo judicial. Segundo ela, durante a primeira audiência não recebeu assistência da Defensoria Pública e precisou participar do ato sozinha, sem orientações sobre os procedimentos.
Gabriella afirma que se sentiu desamparada e que, desde o início da investigação, enfrenta dificuldades para compreender os desdobramentos do caso.
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Defesa do investigado dificulta situação
Outro ponto que preocupa a vítima é a estratégia adotada pela defesa do investigado.
De acordo com Gabriella, os advogados tentam afastar a acusação de tentativa de feminicídio, sustentando que o episódio seria apenas um caso de lesão corporal leve, versão contestada por ela diante da gravidade das agressões e do período em que permaneceu internada em estado crítico.
Medo de ser encontrada
Hoje, a rotina da jovem é marcada pelo medo. Ela afirma que evita sair de casa e teme que o ex-companheiro descubra seu paradeiro. Segundo Gabriella, a única forma de voltar a ter tranquilidade será com a responsabilização do agressor pela Justiça.
“Eu quero que ele fique preso e pague pelo que fez. Quero justiça”, afirmou a jovem, que diz esperar que o processo avance e que o ex-companheiro responda pelo crime preso, para que ela possa retomar a própria vida sem viver escondida.
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