A Justiça de São Paulo classificou como “negligência grosseira” a conduta dos três funcionários da empresa Entre Cordas envolvidos na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, no interior paulista.
A Justiça de São Paulo classificou como “negligência grosseira” a conduta dos três funcionários da empresa Entre Cordas envolvidos na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante uma atividade de rope jump em Limeira, no interior paulista.

Maria Eduarda tinha 21 anos e morreu após acidente durante salto de rope jump em Limeira. Foto: Reprodução.
A decisão foi tomada durante a audiência de custódia que manteve a prisão preventiva dos suspeitos.
Segundo o juiz responsável pelo caso, os funcionários assumiram o risco de provocar a morte da jovem ao permitirem o salto sem verificar se ela utilizava os equipamentos obrigatórios de segurança.
Maria Eduarda morreu na manhã de sábado (13), após ser lançada da chamada Ponte do Esqueleto, de uma altura aproximada de 40 metros.
Falha foi percebida após a queda
De acordo com a investigação, a jovem procurou a empresa para participar da atividade esportiva e foi preparada para o salto pelos funcionários. No entanto, ela acabou sendo lançada da estrutura sem estar presa ao sistema de segurança necessário para a prática.
Os responsáveis só teriam percebido a ausência dos equipamentos após a queda. A vítima sofreu múltiplos traumas em decorrência do impacto e morreu no local.
Prisão preventiva foi mantida
Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que existem indícios suficientes para enquadrar a conduta dos investigados como homicídio doloso na modalidade de dolo eventual, quando se assume o risco de produzir o resultado.
Segundo a decisão, a gravidade da falha e a experiência dos profissionais na atividade contribuíram para a manutenção da prisão.
O juiz também destacou que os envolvidos exercem esse tipo de atividade de forma habitual, o que poderia representar risco de novos episódios semelhantes.
Suspeita de ocultação de provas
Outro ponto mencionado na decisão é o desaparecimento da câmera utilizada durante a atividade. Segundo a polícia, o equipamento que registrava o salto não foi encontrado após o acidente.
Para o magistrado, a situação pode indicar uma possível tentativa de ocultação de provas importantes para a investigação.
Além disso, os três funcionários teriam tentado deixar o local após o ocorrido, comportamento que também foi levado em consideração pela Justiça.
Empresa não tinha autorização
A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), vinculada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, informou que a empresa Entre Cordas não possuía autorização para realizar atividades esportivas na Ponte do Esqueleto.
Segundo o órgão, a estrutura pertence à União e não havia qualquer autorização vigente para exploração comercial do espaço.
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A ponte faz parte de um trecho nunca concluído da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e está sob administração da SPU desde 2026.
Até o momento, a empresa não se pronunciou publicamente sobre as acusações.
Comoção e despedida
A morte de Maria Eduarda gerou forte comoção nas redes sociais e entre familiares e amigos. Horas antes do acidente, a jovem havia compartilhado registros da experiência que viveria na ponte.
O velório e o sepultamento ocorreram sob forte emoção, enquanto a investigação segue para apurar todas as circunstâncias do caso.
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