Criadoras de conteúdo adulto contaram à jornalista Sofia Pilagallo, colaboradora da coluna Universa (UOL), como lidaram com as reações de suas mães.
Martina Oliveira, de 22 anos, e Natália Noffke, 33, conhecida como Nah Brisa, contaram como lidaram com as reações de suas mães ao descobrirem que elas vendiam fotos e vídeos em plataformas de conteúdo adulto, como Privacy e OnlyFans. Ambas relataram à jornalista Sofia Pilagallo, colaboradora da coluna Universa (UOL) que entraram no ramo em busca de independência financeira e, após enfrentarem resistência familiar, conseguiram transformar o trabalho em fonte de renda estável.
“Foi pesado”, diz Martina sobre a reação da mãe
Natural de Porto Alegre (RS), Martina começou a trabalhar com conteúdo adulto em 2022, aos 19 anos, após perder o celular em um assalto e precisar de dinheiro para comprar outro. No início, ela escondia a atividade da mãe, mas acabou sendo confrontada quando começaram a circular prints de suas publicações.
“Ela me chamou de prostituta e disse que não tinha me criado para isso. Foi pesado”, relembra.
Com o tempo, as duas se reconciliaram. Hoje, Martina mantém uma empresa que fatura entre R$ 400 mil e R$ 500 mil por mês, já comprou casas para si e para a mãe e, neste ano, as duas viajaram juntas à Argentina.
“Ninguém tem nada a ver com isso”, afirmou a mãe de Natália
Já Natália, que vive em Curitiba (PR), começou a vender conteúdo adulto em 2023, após enfrentar sucessivas quedas de seus canais sobre legalização da maconha no YouTube. A mudança de nicho trouxe retorno imediato e independência financeira.
Sua mãe descobriu o novo trabalho por meio das redes sociais, mas só comentou meses depois.
“Ela disse: ‘Você é adulta, faz o que quiser da vida’. Respondi que queria aproveitar enquanto estava com tudo em cima”, contou Natália, que afirmou ter aprendido a lidar com o julgamento e vê o trabalho como uma forma de autonomia sobre o próprio corpo.
Estigma e preconceito persistem
A psicóloga Carolina Dias, da Articulação Nacional dos Profissionais do Sexo (Anprosex), explica que o estigma em torno do trabalho sexual ainda é fortemente marcado por valores patriarcais.
Segundo ela, mulheres que assumem essa atividade enfrentam preconceito social e riscos legais, já que o setor não é regulamentado.
“A partir do momento em que uma mulher assume esse tipo de trabalho, as pessoas passam a reposicioná-la na hierarquia social, como se ela valesse menos”, afirma.