Melhores Momentos: a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta manhã (2), o julgamento da trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, com um discurso contundente e vigoroso do ministro Alexandre de Moraes

Foto: Reprodução TV Justiça
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta manhã (2), o julgamento da trama golpista para tentar reverter o resultado das eleições de 2022, com um discurso contundente e vigoroso do ministro Alexandre de Moraes que conduziu a sessão com declarações incisivas e defesas contundentes da democracia e da atuação da Corte. “A história nos ensina que a impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação, pois o caminho aparentemente mais fácil e só aparentemente, que é da impunidade, que deixa cicatrizes traumáticas na sociedade e corrói a democracia, como lamentavelmente o passado recente no Brasil demonstra”, afirmou Moraes.
Abertura do relatório:  Democracia Brasileira
Ao iniciar a leitura de seu relatório, o ministro Alexandre de Moraes ressaltou a solidez da democracia brasileira. “O Brasil chega hoje, em 2025, quase 37 anos da Constituição e 48 anos da redemocratização, com democracia forte, as instituições independentes, a economia em crescimento e sociedade civil atuante”, pontuou. Ele salientou que, apesar dos desafios políticos, econômicos e sociais enfrentados ao longo dessas décadas, os pilares estabelecidos pela Constituição se mostraram eficazes, prevenindo inúmeros retrocessos e garantindo a estabilidade institucional do país.
Mensagem contra a impunidade
Moraes foi direto ao abordar a questão da impunidade, emitindo um claro aviso aos que defendem a anistia para os envolvidos na trama golpista. “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação”, declarou o ministro no prólogo de seu relatório, ao detalhar os dados do inquérito do golpe. Ele reforçou que o caminho da impunidade, embora pareça mais fácil, “deixa cicatrizes traumáticas à sociedade e corrói a democracia”.
Pressões externas: “tarifaço”
Alexandre de Moraes fez referência à tentativa de uso de sanções econômicas dos Estados Unidos contra o Brasil, o chamado “tarifaço”. Sem mencionar nomes diretamente, o ministro afirmou que uma “verdadeira organização criminosa” buscou “coagir” e “submeter” o funcionamento do STF à influência do governo de Donald Trump. A declaração ecoou as investigações sobre a suposta atuação de figuras como o deputado federal Eduardo Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro na tentativa de usar a pressão econômica para interferir no curso das investigações sobre a tentativa de golpe. Moraes reafirmou o papel do Supremo em julgar com imparcialidade, ignorando ameaças e coações, sejam internas ou externas.
Defesa do STF: “Não nos faltará coragem”
Em um discurso de defesa veemente da autonomia do Poder Judiciário, Moraes garantiu: “Não nos faltará coragem para enfrentar os inimigos da democracia”. Ele descreveu a descoberta de “condutas dolosas e conscientes de uma verdadeira organização criminosa que, de forma jamais vista anteriormente em nosso país, passou a agir de forma covarde e traiçoeira com a finalidade de tentar coagir o Poder Judiciário, em especial esse Supremo Tribunal Federal, e submeter o funcionamento da Corte ao crivo de outro estado estrangeiro”.
Advertência aos políticos bolsonaristas
O ministro Alexandre de Moraes aproveitou o início de sua fala para enviar um recado direto aos políticos bolsonaristas que defendem a anistia para os golpistas, sob o pretexto de “pacificação social”. Moraes foi enfático ao afirmar que não se deve confundir “pacificação” com a “covardia do apaziguamento”, ressaltando a importância de uma resposta firme do Estado para evitar futuros ataques à ordem democrática.
 “Document Dump”
No detalhamento do processo, Moraes listou as etapas da ação penal, lembrando que a denúncia foi aceita por unanimidade pelo STF. Ele refutou veementemente a acusação das defesas dos réus de “document dump” (excesso de documentos no processo). O ministro explicou que a vasta quantidade de documentos e mídias nos autos é uma consequência natural da complexidade das investigações e do número de indiciados pela Polícia Federal. Segundo Moraes, a PF produziu relatórios e sumários indicativos de provas de forma sistemática e transparente, garantindo o devido processo legal tanto para a análise da Procuradoria-Geral da República quanto para as defesas.

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