MP-SP afirma que o ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi executado por ordem da cúpula do PCC como vingança por décadas de combate à facção. Oito integrantes foram denunciados por homicídio qualificado e organização criminosa. A morte foi planejada desde 2019, com vigilância, imóveis de apoio e armamento pesado. O Gaeco diz que o crime foi motivado por retaliação direta ao enfrentamento ao PCC.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) apresentou, nesta sexta-feira (21), a denúncia que atribui ao alto escalão do Primeiro Comando da Capital (PCC) a ordem para executar o ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros em setembro no litoral paulista. A motivação: vingança direta contra sua atuação firme no combate à facção ao longo de mais de 40 anos de carreira.
A investigação voltou-se inicialmente à possibilidade de o crime ter relação com sua gestão como secretário municipal em Praia Grande, mas essa linha foi descartada. Segundo o Gaeco, o homicídio foi encomendado pela “sintonia geral” — núcleo que comanda o PCC em nível nacional.
Ordem de morte desde 2019
A trama para matar Ruy vinha sendo articulada há pelo menos cinco anos. Um relatório policial incluído na denúncia revela a apreensão, em 2019, de uma carta manuscrita pelo PCC listando agentes públicos cuja morte estava “cobrada” pela facção. Entre eles, Ruy Ferraz Fontes era nomeado expressamente:
“A sintonia geral vem cobrando o resultado dos trampos passados (…) Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes. Apoio dos 14.”
Ruy ingressou na Polícia Civil nos anos 1980 e se destacou em unidades estratégicas. No início dos anos 2000, passou a revelar publicamente organogramas do PCC e, em 2006, liderou o indiciamento de toda a cúpula da facção — incluindo Marcola. O MP afirma que esse histórico colocou o delegado como alvo prioritário.
Oito denunciados
Foram denunciados como executores ou participantes da operação:
Felipe Avelino da Silva (Mascherano)
Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno)
Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini)
Dahesly Oliveira Pires
Willian Silva Marques
Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH)
Cristiano Alves da Silva (Cris Brown)
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa)
Eles responderão por organização criminosa armada, homicídio qualificado (consumado e tentado), porte ilegal de arma de uso restrito e favorecimento pessoal.
O MP aponta Marcos Augusto Rodrigues Cardoso como figura central do planejamento. Integrante do PCC, ele exercia a função de “disciplina” no Grajaú, zona sul da capital, e seria responsável por recrutar e coordenar os executores.
Execução teve logística complexa
Segundo o Gaeco, o crime foi precedido por um planejamento extenso, envolvendo:
mapeamento detalhado da rotina de Ruy;
vigilância prolongada;
imóveis de apoio em Praia Grande, Mongaguá e São Paulo;
carros de fuga;
obtenção de armamento de alto calibre;
desligamento estratégico de câmeras de segurança durante a ação.
A emboscada ocorreu em via pública e em horário movimentado, o que, para o MP, agrava a conduta dos envolvidos por expor terceiros a perigo.
Motivação: retaliação ao combate ao PCC
A denúncia classifica o crime como de motivação torpe, por ser uma retaliação direta às ações de combate ao crime organizado lideradas por Ruy. O documento destaca que o assassinato foi uma mensagem da facção contra quem enfrenta o “estado paralelo” do PCC.
O Ministério Público afirma que diligências continuam para rastrear possíveis outros envolvidos. O caso aguarda agora análise do Judiciário para que a denúncia seja recebida e a ação penal prossiga.
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