Cecilia Giménez, a pintora amadora espanhola que se tornou mundialmente conhecida em 2012 pela polêmica restauração do afresco “Ecce Homo” na cidade de Borja, na Espanha, morreu aos 94 anos

Restauração de 'Ecce Homo'  (Foto: Divulgação)
Restauração de 'Ecce Homo' (Foto: Divulgação)

Morreu nesta segunda-feira (29), aos 94 anos, Cecilia Giménez, espanhola que ganhou notoriedade internacional após a restauração amadora do afresco “Ecce Homo”, em Borja, na Espanha. A informação foi confirmada pelo prefeito da cidade, Eduardo Arilla. A causa da morte não foi divulgada.

Moradora de Borja, Cecilia ficou mundialmente conhecida em 2012, quando tentou recuperar, por conta própria e sem autorização oficial, uma pintura religiosa localizada no Santuário da Misericórdia, na província de Zaragoza.

O resultado da intervenção alterou drasticamente a obra original e rapidamente se espalhou pela internet, tornando-se um dos episódios mais emblemáticos da história da arte contemporânea.

Pintura ficou mundialmente conhecida

A repercussão do caso foi tão grande que o local passou a atrair milhares de turistas, curiosos para ver de perto o afresco que ficou popularmente conhecido como “a pior restauração da história”. O episódio transformou Borja em destino turístico e gerou debates sobre preservação do patrimônio artístico e cultural.

A pintura “Ecce Homo”, que se tornaria conhecida mundialmente após uma restauração fracassada, já apresentava avançado estado de deterioração antes da intervenção feita por Cecilia Giménez. A obra foi criada no início do século 20 pelo artista espanhol Elías García Martínez e estava localizada em uma igreja da cidade de Borja, na Espanha.

Ao perceber que sua tentativa de recuperação havia causado um impacto muito maior do que o esperado, Cecilia, então com 81 anos, procurou as autoridades locais e assumiu publicamente a responsabilidade pelo ocorrido.

Ecce Homo original, deteriorado pela passagem do tempo e ‘restaurado’; (Foto: Centro De Estudios Borjanos)

Cecilia Giménez falou sobre a restauração

Em entrevistas concedidas anos depois, ela relatou o impacto emocional causado pela exposição repentina. Em 2015, ao jornal The Guardian, Cecilia afirmou que enfrentou um período de grande sofrimento, marcado por perseguições da imprensa e críticas constantes. Com o tempo, porém, passou a enxergar o episódio de outra forma.

Segundo ela, apesar de não se considerar uma grande artista, sempre teve paixão pela pintura e chegou a realizar exposições individuais. Cecilia também contou que, por cerca de duas décadas, cuidou do afresco do Ecce Homo, tentando preservar a obra afetada pela umidade e pelo sal presentes no ambiente da igreja.

Já com o distanciamento dos anos, Cecilia reconheceu que a restauração acabou colocando Borja em evidência no cenário internacional. Para ela, o episódio trouxe visibilidade à cidade e ao santuário, atraindo milhares de visitantes e garantindo que a obra continuasse existindo e sendo lembrada.

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