O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou duas novas denúncias contra dez policiais militares por crimes cometidos durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

Operação policial realizada em 2025 nos complexos da Penha e do Alemão deixou 122 mortos e segue sob investigação. Foto: Reprodução/PCERJ.
Operação policial realizada em 2025 nos complexos da Penha e do Alemão deixou 122 mortos e segue sob investigação. Foto: Reprodução/PCERJ.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou duas novas denúncias contra dez policiais militares por crimes cometidos durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro.

Os agentes, que integram o Batalhão de Ações com Cães (BAC), são acusados de invasão a domicílios e obstrução de câmeras corporais durante a ação policial.

Considerada a operação mais letal da história do estado, a incursão deixou 122 pessoas mortas, entre elas cinco policiais.

Invasão de residências

De acordo com a denúncia do MPRJ, os policiais teriam invadido residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento dos moradores.

Segundo o documento, os agentes utilizaram ferramentas como chaves mestras, facões e chaves de fenda para entrar nos imóveis. 

Dentro das casas, eles teriam vasculhado objetos e até consumido alimentos encontrados nas geladeiras.

A promotoria também afirma que imagens analisadas mostram policiais circulando pelos cômodos e revirando pertences dos moradores.

Outras denúncias já apresentadas

Em outra denúncia, o Ministério Público aponta que cinco policiais do mesmo grupo manipularam câmeras corporais acopladas ao uniforme, descumprindo ordem superior que determina o uso obrigatório do equipamento.

Segundo a investigação, em diversos momentos os dispositivos foram posicionados de forma inadequada ou direcionados para locais que impediam o registro das ações dos agentes.

Desde a realização da operação, o MPRJ já apresentou oito denúncias contra 19 policiais militares por irregularidades relacionadas à ação.

Entre os crimes investigados estão apropriação de um fuzil abandonado, retirada de peças de um carro, invasões de domicílio, constrangimento de moradores e subtração de bens.

Também há acusações de desligamento ou obstrução das câmeras corporais utilizadas pelos agentes.

Os casos serão julgados pela Auditoria Militar.

Operação teve alta letalidade

A Operação Contenção foi realizada em 28 de outubro de 2025 com o objetivo de conter a atuação da facção criminosa Comando Vermelho.

A ação mobilizou cerca de 2,5 mil agentes de segurança e resultou em 113 prisões, sendo 33 de pessoas de fora do estado. 

Durante a operação, foram apreendidas 118 armas e aproximadamente uma tonelada de drogas.

Moradores, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos classificaram a ação como uma chacina, denunciando a existência de corpos com sinais de execução.

Governo do Rio defende operação

O governo do estado do Rio de Janeiro afirmou que a operação foi bem-sucedida. O governador Cláudio Castro declarou que as mortes ocorreram após reação de suspeitos armados e que os policiais agiram em legítima defesa.

Já organismos internacionais também passaram a analisar o caso. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realizou uma audiência para discutir operações policiais no Rio e avaliar possíveis recomendações ao Brasil relacionadas à atuação das forças de segurança em comunidades.

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