O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou ferimentos considerados “incomuns” e até uma decapitação em dois dos 121 corpos resultantes da megaoperação Contenção, deflagrada contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte da capital fluminense.

Operação Contenção foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, e deixou 121 mortos — o MP agora investiga possíveis execuções e mutilações.. Foto: reprodução.
Operação Contenção foi realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio, e deixou 121 mortos — o MP agora investiga possíveis execuções e mutilações.. Foto: reprodução.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) identificou ferimentos considerados “incomuns” e até uma decapitação em dois dos 121 corpos resultantes da megaoperação Contenção, deflagrada contra o Comando Vermelho nos complexos do Alemão e da Penha, zona norte da capital fluminense.

Segundo relatório da Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (Dedit), um dos corpos apresentava marcas de disparo à curta distância, enquanto outro tinha ferimento por projétil e sinais de decapitação, provocada por instrumento cortante ou corto-contundente. O material foi produzido a partir dos exames de necropsia feitos pela Polícia Científica.

Moradores das comunidades haviam relatado que alguns corpos encontrados na mata tinham marcas de facadas, mutilações e desmembramentos. O MPF já havia alertado, no início do mês, para “graves violações de direitos humanos” durante a ação policial.

Diante das constatações, o MPRJ pediu uma análise minuciosa das imagens captadas pelas câmeras corporais dos agentes e do ambiente do confronto, a fim de esclarecer a dinâmica das mortes.

Escaneamento em 3D para reconstruir os corpos

A equipe técnica da Dedit formada por médicos legistas e peritos, acompanhou de forma independente as necropsias e utilizou escaneamento 3D de alta fidelidade para reconstruir os corpos, documentando as lesões e preservando a cadeia de custódia das provas.

O relatório será anexado ao processo da ADPF 635, que trata das operações policiais no Rio, e reforça a necessidade de investigar a conduta dos agentes e a possível ocorrência de execuções durante a megaoperação.

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