O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rechaçou a decisão dos EUA de classificar facções brasileiras como organizações terroristas. Durante evento realizado nesta sexta-feira (29), em Sergipe, o petista criticou a decisão.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, nesta sexta-feira (29), à decisão do Departamento de Estado dos EUA, que classificou as facções Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como terroristas.

Lula já demonstrou insatisfação antes dos EUA oficializarem decisão (Foto: Gustavo Moreno / STF)
Durante evento da Petrobras em Sergipe, o petista rechaçou a decisão anunciada pelo Secretário de estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e acusou o pré-candidato à Presidência e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de ser um “traidor da pátria”.
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Lula critica decisão
Em seu discurso, Lula demonstrou descontentamento com a decisão norte-americana. “Estou muito triste hoje com a notícia de que o secretário dos EUA, um tal de Marco Rubio, disse que nossos criminosos são terroristas e que os americanos podem fazer intervenção”, começou.
“Comando Vermelho e PCC são terroristas para as comunidades brasileiras, para o povo da periferia, e vamos combater ele aqui dentro. Aprovamos a Lei Antifacção, e vamos combater”, justificou o presidente, reiterando o interesse de utilizar forças nacionais para garantir a segurança pública.
“Eu entreguei um documento para o [presidente Donald] Trump. Não aceitamos ser tratados como moleque”, prosseguiu.
Flávio Bolsonaro traidor
Ainda em seu discurso, Lula chamou Flávio de traidor e citou Joaquim Silvério dos Reis, que delatou o líder Tiradentes durante a Inconfidência Mineira, dizendo que ele ficaria “envergonhado se soubesse que tem um candidato a presidente que vai nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”.
Em nota oficial divulgada pelo Itamaraty nesta sexta-feira, em resposta à decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas, o governo elevou o tom ao afirmar que a segurança pública não pode ser “manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos” e por “falsos patriotas” que pedem a autoridades estrangeiras interferência em assuntos brasileiros.
Pressão dos EUA
Na visão do Planalto, a nova classificação pode abrir precedentes para que os Estados Unidos interfiram no país com a atuação de forças armadas, assim como acontece na Venezuela desde o início de 2026.
Desde julho de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem comandado bombardeios contra embarcações próximas ao território venezuelano sob o pretexto de estar “combatendo o narcoterrorismo” sul-americano.
“Nós temos clareza do que significa o PCC e o Comando Vermelho. Isso está tipificado na legislação brasileira, e nós vamos enfrentar essa gente”, declarou Lula em abril deste ano.
Lei Antifacção
Ainda segundo o petista, a Lei Antifacção, promulgada em 24 de março de 2026, e que passou a valer no dia seguinte, já serve como medida nacional para combater o tráfico de drogas e as organizações criminosas no território.
“Nós aprovamos agora a Lei Antifacção, que vai permitir ter uma atuação muito mais poderosa para tentar destruir essas organizações. Essa é uma guerra que é nossa, essa guerra não é dos Estados Unidos”, justificou Lula à época.
O texto sancionado endurece significativamente as punições para crimes relacionados a facções criminosas, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão. A proposta também cria novos instrumentos legais para atuação das autoridades, incluindo um banco nacional para identificação de organizações criminosas.
Entre as mudanças, passa a ser considerado crime integrar, financiar ou comandar facções, além de exercer controle territorial por meio de violência ou ameaça. Condutas como bloqueio de vias, instalação de barricadas, ataques a serviços públicos e sabotagem de infraestrutura também passam a ser enquadradas na legislação.
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