Matilde da Silva responde em liberdade provisória ao processo criminal que enfrenta após matar o próprio marido, Júlio César, com uma facada, na casa da família, em São Matheus, Zona Leste de São Paulo. Segundo a defesa, o ato ocorreu em legítima defesa, após mais de 30 anos de violência doméstica, vivida pela mulher diante dos filhos.
Matilde da Silva responde em liberdade provisória ao processo criminal que enfrenta após matar o próprio marido, Júlio César, com uma facada, na casa da família, em São Matheus, Zona Leste de São Paulo. Segundo a defesa, o ato ocorreu em legítima defesa, após mais de 30 anos de violência doméstica, vivida pela mulher diante dos filhos.
De acordo com a advogada de Matilde, a agressão sofrida era recorrente e contínua, com episódios de ameaças, espancamentos e intimidações. A defesa reuniu depoimentos de vizinhos, além de áudios gravados que comprovam o histórico de violência praticada por Júlio César contra a esposa.
Em entrevista ao programa Alô Você, a vítima revelou que a faca utilizada no crime, foi a mesma que o marido usava para lhe agredir. “A gente ligava para a Polícia, os vizinhos ligavam, os vizinhos são testemunha de que isso acontecia quase diariamente. […] Eu não sei o que é liberdade”, relatou.
A filha de Matilde também comprova as agressões sofridas pela mãe. “Meu pai falava que ia matar meu irmão, uma pessoa deficiênte. E mesmo assim que chamou a polícia fomos nós. Não foi uma coisa fácil, foi legítima defesa e nenhuma mulher deveria passar por isso“, disse Bianca.
“Ou eu enterrava meu pai ou eu enterrava minha mãe”
Apesar de a polícia ter sido acionada diversas vezes, Matilde nunca formalizou boletins de ocorrência. Conforme relatado, o medo de represálias e a dependência emocional e psicológica do agressor impediram que ela denunciasse oficialmente os abusos.
Após o crime, Matilde passou a enfrentar não apenas o processo judicial, mas também o preconceito social. Em liberdade provisória, ela tenta reconstruir a própria vida e encontrar um novo sentido após décadas de sofrimento.
A defesa segue reunindo documentos e provas para demonstrar que Matilde agiu para preservar a própria vida, reforçando que o caso deve ser analisado à luz da violência doméstica prolongada e do contexto de ameaça iminente.