Os alimentos são projetados para serem prontos para consumo, reidratáveis ou termoestabilizados, com uso de um dispensador de água potável para reidratar itens e um aquecedor portátil para preparar as refeições. A evolução dos sistemas alimentares espaciais é grande quando comparada às primeiras missões, nas quais astronautas consumiam pastas em tubos ou cubos desidratados.
Enquanto se prepara para o lançamento da missão Artemis II, a Nasa, Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos, revelou detalhes sobre a alimentação dos quatro astronautas que viajarão a bordo da espaçonave Orion. A dieta no espaço é um dos aspectos mais curiosos da vida em gravidade reduzida, já que manter hábitos alimentares semelhantes aos da Terra apresenta diversos desafios.
Originalmente prevista para o início de fevereiro, a missão ao redor da Lua foi adiada e não deve ocorrer antes de abril. Durante os dez dias de viagem, os astronautas consumirão exclusivamente alimentos não perecíveis, devido às limitações de armazenamento e à ausência de sistemas de refrigeração na Orion.
Acompanhe o portal Bacci Notícias no Canal do WhatsApp
“Os alimentos não perecíveis ajudam a gerenciar a segurança e a qualidade alimentar durante todo o período de conservação previsto em uma nave espacial compacta e autônoma, ao mesmo tempo que reduzem o risco de migalhas ou partículas em microgravidade”, explicou a Nasa.
Outro desafio é lidar com as migalhas em microgravidade. Em missões anteriores, sanduíches e outros alimentos geraram partículas que flutuavam pelo módulo, podendo entrar em equipamentos delicados ou até nos pulmões da tripulação. A Nasa, portanto, adapta os alimentos para minimizar riscos e garantir segurança e nutrição durante a missão lunar.
Cardápio da Artemis II terá mais variedade que missões anteriores
O cardápio da missão Artemis II apresenta uma variedade maior do que a oferecida em voos espaciais anteriores. Os astronautas terão à disposição dez tipos de bebidas, incluindo café, chá verde, limonada e cacau. Entre os alimentos secos, estão: granola, nozes, amêndoas e 58 tortilhas, que servirão como a base principal da alimentação a bordo.
As refeições poderão ser temperadas com até cinco tipos de molhos picantes, além de complementos como: xarope de bordo, mostarda, manteiga de amendoim, mel e canela. O menu também inclui guloseimas doces, como: chocolates, biscoitos, pudins e bolos, garantindo diversidade nutricional e variedade de sabores para a tripulação.
Segundo a Nasa, a alimentação foi planejada para manter a saúde e o desempenho dos astronautas durante a missão lunar. Sem possibilidade de reabastecimento ou refrigeração, todos os itens foram cuidadosamente selecionados para garantir segurança, conservação e facilidade de preparo e consumo dentro da espaçonave Orion.
No caso das bebidas, cada astronauta terá direito a duas porções com sabor por dia, incluindo café. As opções são limitadas devido ao espaço restrito e às exigências logísticas de transportar alimentos e líquidos para o espaço.
Horários de refeição
Os astronautas da missão Artemis II terão horários definidos para café da manhã, almoço e jantar, com refeições que chegam à Orion praticamente prontas para consumo, exigindo apenas preparo mínimo em alguns casos.
Segundo a Nasa, os alimentos são prontos para consumo, reidratáveis, termoestabilizados ou irradiados. A tripulação utiliza o dispensador de água potável da espaçonave para reidratar comidas e bebidas, além de um aquecedor compacto tipo maleta para esquentar as refeições quando necessário.
O sistema de alimentação no espaço avançou significativamente desde os primeiros programas, como o Apollo, que dependiam de tecnologias alimentares muito mais limitadas, oferecendo menos variedade e praticidade aos astronautas.
Primeiros astronautas se alimentavam de pastas e cubos liofilizados
Segundo o site especializado IFLScience, os primeiros astronautas precisavam se alimentar de formas bastante incomuns, como pasta de fígado e carne em tubos, acompanhadas de calda de chocolate como sobremesa. Outros consumiam cubos liofilizados, pós desidratados em condições de vácuo para preservar nutrientes, ou misturas semilíquidas em embalagens de alumínio.
A Nasa relata que John Glenn, o primeiro norte-americano a se alimentar em microgravidade na órbita terrestre, considerou a experiência relativamente fácil, mas limitada pelo cardápio restrito. Hoje, a realidade é bem diferente: na Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas podem receber alimentos frescos ocasionalmente, embora muitos comentem que o sabor não é o mesmo no espaço.
Enquanto isso, as equipes da Nasa continuam com os preparativos da missão Artemis II. De acordo com a agência, os trabalhos no foguete e na espaçonave Orion seguem nas próximas semanas, com previsão de levar o foguete à plataforma de lançamento no fim do mês, visando um possível lançamento não antes de abril.
Leia mais no BacciNotícias
