ACM Neto evitou explorar politicamente a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner, adversário do PT na disputa eleitoral da Bahia. Nos bastidores, grupos ligados ao petista e ao ex-prefeito de Salvador teriam firmado um acordo para não transformar o Caso Master em tema central da campanha.

ACM Neto e Jaques Wagner — Foto: Reprodução/O globo
ACM Neto e Jaques Wagner — Foto: Reprodução/O globo

Principal adversário do PT na Bahia, o grupo político liderado por ACM Neto (União Brasil) decidiu não explorar publicamente a operação da Polícia Federal que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), candidato à reeleição ao Senado na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

Jacques Wagner - Foto: Reprodução/Agência Senado

Jacques Wagner – Foto: Reprodução/Agência Senado

Nos bastidores, petistas e aliados do ex-prefeito de Salvador teriam firmado um acordo para manter o Caso Master fora da disputa eleitoral estadual deste ano, evitando que as investigações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro se transformem em arma política durante a campanha.

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Jaques Wagner é investigado em apuração que busca esclarecer se ele teria atuado em favor dos interesses do Banco Master e do empresário Augusto Lima no Congresso Nacional em troca de supostas vantagens indevidas.

Entre os pontos investigados está a atuação do senador em projetos considerados estratégicos para a instituição financeira, incluindo a chamada “emenda Master”, que ampliava a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo as investigações, Wagner teria recebido benefícios como uso de aeronaves, ingressos para shows internacionais e um apartamento de luxo avaliado em R$ 2,4 milhões, em Salvador. O parlamentar nega irregularidades.

ACM Neto evita confronto direto

Apesar da repercussão da operação, ACM Neto evitou abordar o tema nas redes sociais e adotou tom cauteloso ao ser questionado por jornalistas.

O ex-prefeito afirmou que cabe ao Judiciário conduzir as investigações e defendeu que eventuais responsáveis sejam punidos caso irregularidades sejam comprovadas.

A postura chamou atenção porque a operação atingiu um dos principais nomes da campanha adversária na Bahia.

Ligação com o Caso Master influencia estratégia

A cautela também é explicada pelo fato de que ACM Neto foi citado em documentos entregues por Daniel Vorcaro à Receita Federal.

Os registros apontam pagamentos de R$ 5,4 milhões à empresa de consultoria do ex-prefeito entre 2023 e 2025. Neto sustenta que os serviços prestados foram legais e ocorreram sem qualquer vínculo com agentes públicos.

As conexões dos dois grupos políticos com o Banco Master contribuíram para reduzir os ataques públicos sobre o tema durante a campanha.

João Roma adota postura mais dura

Quem decidiu explorar politicamente a operação foi o ex-ministro da Cidadania e presidente estadual do PL na Bahia, João Roma.

Integrante da chapa de ACM Neto e também candidato ao Senado, Roma classificou as suspeitas contra Wagner como graves e cobrou investigações independentes.

Nas redes sociais, ele criticou a postura do líder do governo no Senado e afirmou que o caso deve ser tratado com seriedade.

Disputa eleitoral segue acirrada

A eleição na Bahia deve reeditar o confronto entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, que disputaram o segundo turno em 2022.

Na ocasião, o petista venceu com 52,8% dos votos. Levantamentos recentes apontam cenário de equilíbrio entre os dois grupos políticos.

Além da disputa pelo governo estadual, a corrida pelas duas vagas ao Senado também promete ser uma das mais disputadas do país, envolvendo nomes como Jaques Wagner, Rui Costa, João Roma e Angelo Coronel.

PF aponta relação entre Wagner e empresário investigado

De acordo com a Polícia Federal, Jaques Wagner mantinha relação próxima com o empresário Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.

A investigação menciona negócios firmados ainda durante a gestão de Rui Costa no governo da Bahia, incluindo a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), controladora da rede Cesta do Povo.

O relatório da PF também cita uma emenda apresentada por Wagner em 2022 que poderia beneficiar o Banco Master. O senador nega ter favorecido a instituição financeira ou recebido qualquer valor relacionado ao banco.

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