O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na última sexta-feira (30), a maior leva de documentos já tornada pública sobre o caso Jeffrey Epstein. O acervo reúne mais de 3 milhões de páginas, cerca de 2 mil vídeos e 180 mil imagens produzidas ao longo de anos de investigação sobre o financista condenado por abuso sexual de menores.

Jeffrey Epstein — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
Jeffrey Epstein — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos divulgou, na última sexta-feira (30), a maior leva de documentos já tornada pública sobre o caso Jeffrey Epstein. O acervo reúne mais de 3 milhões de páginas, cerca de 2 mil vídeos e 180 mil imagens produzidas ao longo de anos de investigação sobre o financista condenado por abuso sexual de menores.

Os arquivos trazem novos detalhes sobre o período em que Epstein esteve preso, sua morte em 2019 e as conexões mantidas com figuras influentes da política, da economia e do entretenimento mundial.

Quem foi Jeffrey Epstein

Jeffrey Edward Epstein foi um bilionário financista de Nova York. Em 2005, passou a ser investigado pela polícia de Palm Beach, na Flórida, após a denúncia de que havia abusado sexualmente de uma adolescente de 14 anos.

Autoridades federais identificaram ao menos 36 meninas, algumas com apenas 14 anos, que teriam sido vítimas de abuso. Em 2008, Epstein se declarou culpado por aliciar uma menor para prostituição e solicitar serviços sexuais, como parte de um acordo judicial controverso. Ele cumpriu cerca de 13 meses de prisão, com direito a trabalho externo.

Em julho de 2019, foi novamente preso, desta vez sob acusações federais de tráfico sexual de menores na Flórida e em Nova York. Epstein morreu em sua cela em 10 de agosto de 2019. A causa da morte foi considerada suicídio por enforcamento.

Onde os crimes teriam ocorrido

Grande parte dos abusos teria acontecido em Little Saint James, ilha privada nas Ilhas Virgens Americanas que pertenceu a Epstein entre 1998 e 2019. O local ficou conhecido como “Ilha do Pecado” e “Ilha da Pedofilia”, devido às denúncias de exploração sexual de meninas menores de idade.

Além da ilha, as investigações apontam que crimes também ocorreram em imóveis de Epstein em Nova York, Flórida e Novo México.

Como funcionava o esquema

Segundo a acusação, entre 2002 e 2005, Epstein pagava centenas de dólares para que meninas fossem levadas a suas propriedades, onde realizavam atos sexuais. As vítimas também eram coagidas a recrutar outras adolescentes.

O governo dos Estados Unidos afirma que mais de 250 meninas menores de idade teriam sido exploradas sexualmente pelo financista.

O que revelam os novos documentos

Os novos arquivos detalham o período de prisão de Epstein, sua morte e relações com pessoas identificadas apenas por codinomes, como “O Duque”, que seria o príncipe Andrew, do Reino Unido. E-mails indicam convites para encontros no Palácio de Buckingham e menções à oferta de mulheres a autoridades.

O nome do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aparece diversas vezes. Há referência a uma denúncia de estupro envolvendo uma menor, que foi retirada em 2016. Trump nega as acusações e afirma ter rompido relações com Epstein após o escândalo.

Donald Trump (Reprodução/Redes Sociais)

Documentos anteriores já citavam Trump em registros de voos da aeronave de Epstein e em uma carta de aniversário enviada ao financista no início dos anos 2000.

Famosos citados nos arquivos

Bill Gates
Epstein alegou, em rascunhos de e-mails, que Gates teria mantido relações extraconjugais. A Fundação Gates negou as acusações, classificando-as como “absolutamente absurdas”.

Elon Musk
Mensagens mostram trocas de e-mails entre Epstein e Musk, incluindo convites para a ilha. Musk afirmou que trechos das mensagens podem ser mal interpretados e defendeu a responsabilização criminal dos envolvidos nos abusos.

Outros nomes citados incluem Bill Clinton, Príncipe Andrew, Alan Dershowitz, Michael Jackson e Stephen Hawking.

Presença do Brasil

O Brasil aparece em parte dos documentos. Há menção a um suposto “agente” que teria facilitado a obtenção de meninas menores de idade durante passagens de Epstein pelo país.

Segundo a BBC, ao menos quatro brasileiras, incluindo adolescentes, teriam sido levadas para festas em casas do financista nos Estados Unidos. Reportagens anteriores apontam que cerca de 50 brasileiras passaram por uma de suas mansões.

Lula e Bolsonaro nos arquivos

Os documentos citam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e trazem elogios de Epstein ao ex-presidente Jair Bolsonaro em trocas de e-mails com Steve Bannon, em 2018.

Em mensagens, Epstein elogia Bolsonaro após o primeiro turno das eleições presidenciais e discute o cenário político brasileiro. Outros e-mails incluem referências feitas pelo linguista Noam Chomsky, que menciona envolvimento em ações do movimento “Lula Livre” e classifica Lula como “o prisioneiro político mais importante do mundo”.

As mensagens indicam que Chomsky manteve contato frequente com Epstein e recebeu convites para visitar suas propriedades.

Conversa entre Jeffrey Epstein e Steve Bannon cita Bolsonaro (Reprodução)

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