O mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfrenta um momento de grande vulnerabilidade. Nesta semana, o parlamentar foi alvo de uma série de ações coordenadas na Câmara dos Deputados, que intensificaram a pressão sobre sua permanência no cargo.

A escalada da ofensiva começou na segunda-feira, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) o denunciou por supostamente tentar coagir a Justiça brasileira a partir do exterior. O deputado tem residido nos Estados Unidos desde o início do ano, onde patrocina uma campanha com o objetivo de pressionar autoridades americanas para intervir em processos contra seu pai.

Eduardo Bolsonaro diz ter avisado aos EUA que sanções não afetaram Moraes
Eduardo Bolsonaro diz ter avisado aos EUA que sanções não afetaram Moraes

O mandato do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) enfrenta um momento de grande vulnerabilidade. Nesta semana, o parlamentar foi alvo de uma série de ações coordenadas na Câmara dos Deputados, que intensificaram a pressão sobre sua permanência no cargo. Paralelamente, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro presenciou uma aproximação entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, um sinal considerado um revés político para seu grupo.

A escalada da ofensiva começou na segunda-feira, quando a Procuradoria-Geral da República (PGR) o denunciou por supostamente tentar coagir a Justiça brasileira a partir do exterior. O deputado tem residido nos Estados Unidos desde o início do ano, onde patrocina uma campanha com o objetivo de pressionar autoridades americanas para intervir em processos contra seu pai.

Manobras políticas e reviravoltas na Câmara

Na terça-feira, as notícias negativas para o deputado se sucederam. A primeira delas foi a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de rejeitar a indicação de Eduardo Bolsonaro para a liderança da minoria. A manobra, vista como uma tentativa do PL de blindar o parlamentar da perda de mandato por excesso de faltas, foi negada. A Constituição Federal prevê a cassação do mandato para deputados ou senadores que faltarem a um terço das sessões ordinárias do ano sem justificativa.

A decisão de Motta foi interpretada nos bastidores como um sinal de aliança com o Supremo Tribunal Federal (STF), em particular com a ala ligada ao ministro Alexandre de Moraes. Esse movimento se insere em um contexto de negociações para uma possível redução das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, em detrimento da anistia ampla defendida pelos bolsonaristas.

O quadro se agravou ainda mais quando o Conselho de Ética da Câmara dos Deputados instaurou um processo de cassação contra o parlamentar. O motivo são as acusações de ataques ao STF e ameaças ao processo eleitoral de 2026. O relator do processo será definido a partir de uma lista tríplice, composta pelos deputados Duda Salabert (PDT-MG), Paulo Lemos (PSOL-AP) e Delegado Marcelo Freitas (União Brasil-MG). Além disso, o nome de Eduardo Bolsonaro pode ser incluído no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados (Cadin) devido a um débito de quase R$ 14 mil, referente a faltas injustificadas.

Aproximação entre Lula e Trump

Para além da pressão interna no Congresso, o deputado e seus aliados foram surpreendidos por um breve encontro entre Lula e Donald Trump durante a Assembleia-Geral da ONU. Na ocasião, o ex-presidente americano afirmou ter tido uma “excelente química” com o brasileiro.

Em resposta, Eduardo Bolsonaro utilizou as redes sociais para argumentar que o gesto era apenas uma demonstração da habilidade de negociação de Trump. O deputado escreveu que o encontro, se confirmado no futuro, seria no Salão Oval da Casa Branca, em um momento e local definidos por Trump, o que, segundo ele, anularia a capacidade de negociação do Itamaraty.

No entanto, nos bastidores, integrantes do Centrão consideram o episódio um revés para a imagem do bolsonarismo, que sempre se projetou como o principal interlocutor do ex-presidente americano no Brasil.

Candidatura presidencial em pauta

Em meio a esse cenário de isolamento, Eduardo Bolsonaro tem afirmado a interlocutores que pretende ser candidato à Presidência da República, com ou sem o apoio de seu pai. Ele teria manifestado a intenção de deixar o PL para se filiar a uma sigla menor e disputar a sucessão de Lula.

Essa posição, porém, contraria a visão do Centrão e de uma parte do próprio bolsonarismo, que almejam uma candidatura presidencial unificada em torno do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Segundo apoiadores de Eduardo, políticos do Centrão estariam tentando se apropriar do legado de Jair Bolsonaro, fornecendo informações equivocadas ao ex-presidente para induzi-lo a apoiar outro nome e, assim, solucionar sua situação jurídica.

Leia também:

STF tenta intimar Eduardo Bolsonaro, mas não o encontra em dois endereços

Eduardo Bolsonaro vê discurso de Trump como ‘armadilha para Lula

PGR denuncia Eduardo Bolsonaro e aliado por tentar pressionar STF com sanções dos EUA

Vídeos curtos

Mais lidas