A Organização Mundial da Saúde registrou o falecimento de uma mulher em Bangladesh após infecção pelo vírus Nipah, transmitido por morcegos. A suspeita é que a contaminação ocorreu pelo consumo de seiva de tâmara crua, prática comum na região de Rajshahi. Apesar da letalidade da doença, a organização avalia que o risco de uma disseminação global permanece baixo no momento.

Especialistas explicam sintomas, formas de transmissão e por que o Brasil não é considerado área de risco para o vírus Nipah. Foto: Divulgação.
Especialistas explicam sintomas, formas de transmissão e por que o Brasil não é considerado área de risco para o vírus Nipah. Foto: Divulgação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou o falecimento de uma mulher em Bangladesh, decorrente da infecção pelo vírus Nipah. A paciente, com idade estimada entre 40 e 50 anos, manifestou febre persistente e complicações neurológicas severas a partir da segunda quinzena de janeiro.

Após a internação e a confirmação laboratorial do diagnóstico, a vítima não resistiu ao agravamento do quadro clínico. O episódio ocorreu na Divisão de Rajshahi, localidade que possui histórico de pequenos surtos da enfermidade, o que levou as autoridades sanitárias a testarem 35 pessoas que mantiveram contato direto com a paciente para conter possíveis novas transmissões.

Origem da contaminação

A principal hipótese investigada pelos órgãos de saúde indica que o contágio ocorreu por meio da ingestão de seiva crua de tâmara. Este hábito alimentar é frequente em áreas rurais de Bangladesh, mas oferece riscos devido à presença de morcegos frugívoros, que são os hospedeiros naturais do agente patogênico. O alimento pode ser facilmente contaminado pelas secreções desses animais, servindo como ponte para a infecção humana.

O vírus Nipah é conhecido por sua agressividade, podendo evoluir rapidamente de sintomas comuns, como cefaleia e fraqueza, para crises convulsivas e problemas respiratórios agudos, o que exige diagnóstico célere e isolamento imediato.

Histórico epidemiológico

Desde a primeira ocorrência no país, em 2001, Bangladesh registra ocorrências esporádicas da doença, somando quatro mortes relacionadas ao vírus somente ao longo do último ano.

Além do monitoramento local, a OMS acompanha de perto situações semelhantes em território indiano, onde episódios recentes também foram relatados. A vigilância ativa é mantida em toda a região para identificar mutações ou mudanças no padrão de transmissão que possam elevar o nível de perigo. O cenário atual demanda atenção redobrada das populações locais quanto ao preparo de alimentos naturais, visando interromper o ciclo de transmissão entre animais e humanos.

Avaliação de risco e disseminação internacional

Apesar da letalidade elevada e da gravidade das complicações neurológicas descritas nos casos confirmados, a OMS classifica como baixo o risco de uma disseminação global imediata. O padrão de espalhamento observado até o momento sugere casos isolados e controlados geograficamente, sem evidências de uma transmissão entre pessoas que sustente uma epidemia em larga escala fora das zonas endêmicas.

As recomendações atuais focam na prevenção primária e no fortalecimento dos sistemas de saúde regionais para assegurar que cada novo caso seja isolado e tratado com os protocolos de segurança biológica necessários.

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