A Polícia Federal deflagrou na última quarta (12), uma nova operação para investigar um esquema de desvio de recursos do Ministério da Educação (MEC) por meio de contratos superfaturados relacionados à compra de kits de robótica e livros didáticos. A ação, batizada de Operação Coffee Break, mira empresários, ex-agentes públicos e pessoas ligadas a nomes conhecidos da política nacional.
A Polícia Federal deflagrou na última quarta (12), uma nova operação para investigar um esquema de desvio de recursos do Ministério da Educação (MEC) por meio de contratos superfaturados relacionados à compra de kits de robótica e livros didáticos. A ação, batizada de Operação Coffee Break, mira empresários, ex-agentes públicos e pessoas ligadas a nomes conhecidos da política nacional.
Entre os alvos estão Carla Trindade, ex-nora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e Kalil Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A operação cumpre 50 mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva em São Paulo, Distrito Federal e Paraná, autorizados pela 1ª Vara Federal de Campinas (SP).
Os investigados podem responder por corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitação, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e organização criminosa. Segundo a PF, Carla Trindade teria atuado como lobista junto ao governo federal, sendo contratada pelo empresário André Gonçalves Mariano, dono da empresa Life Tecnologia Educacional, que é suspeita de envolvimento no esquema.
As investigações apontam que Carla alegava ter influência no governo federal, especialmente no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e usava essa suposta proximidade para facilitar contratos e repasses de recursos públicos. A Life Tecnologia é suspeita de fornecer materiais a prefeituras do interior de São Paulo, como Sumaré e Hortolândia, com valores superfaturados, desviando parte do dinheiro público para empresas de fachada.
Durante a operação, o vice-prefeito de Hortolândia, Cafu César, e o empresário André Mariano foram presos preventivamente. Já Kalil Bittar aparece como alguém que teria recebido uma “mesada” de Mariano para atuar politicamente em favor da empresa junto ao MEC e outros órgãos públicos.
De acordo com o relatório da PF, após as eleições de 2022, Mariano passou a investir na influência de Kalil em “novos ministérios” e no MEC, iniciando transferências financeiras suspeitas, algumas delas feitas em nome da esposa de Kalil.
A Controladoria-Geral da União (CGU), que também participa das investigações, afirmou que o desvio de verbas da educação compromete o atendimento das escolas públicas e prejudica diretamente milhares de estudantes, especialmente os de baixa renda.
As prefeituras investigadas afirmaram colaborar com as apurações. A de Sumaré declarou que os contratos sob suspeita são de gestões anteriores, enquanto o ex-prefeito de Limeira, Mário Celso Botion, também citado na operação, alegou que as compras foram realizadas de forma regular e transparente.
O nome “Coffee Break” faz referência aos encontros entre lobistas e agentes públicos que, segundo a PF, serviam para negociar propinas e influências políticas. A Justiça determinou ainda a apreensão dos passaportes dos investigados, e o processo corre em segredo de justiça, com novas fases já previstas.
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