A Polícia Militar desocupou a ocupação estudantil na Reitoria da USP, no campus do Butantã, durante uma operação realizada na madrugada deste domingo (10). Estudantes denunciaram uso de bombas, gás lacrimogêneo e agressões com cassetetes durante a ação. A PM afirmou que cerca de 150 pessoas foram retiradas do prédio, negou feridos e informou que quatro alunos foram encaminhados à delegacia e liberados após prestarem esclarecimentos.

Polícia Militar usa cassetetes e bombas de gás para desocupar reitoria da USP, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
Polícia Militar usa cassetetes e bombas de gás para desocupar reitoria da USP, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

A ocupação estudantil na Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), localizada no campus do Butantã, na Zona Oeste da capital paulista, foi encerrada pela Polícia Militar durante uma operação realizada na madrugada deste domingo (10). A ação aconteceu por volta das 4h15 e mobilizou equipes da corporação dentro da universidade.

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Polícia Militar na USP, no Butantã, Zona Oeste de São Paulo (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

De acordo com estudantes que participavam do protesto, a retirada ocorreu de forma repentina e contou com o uso de equipamentos de choque, como escudos, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes. Os alunos afirmam que não houve aviso prévio antes da entrada dos policiais no prédio.

Imagens gravadas pelos próprios manifestantes e divulgadas nas redes sociais mostram momentos de tensão durante a desocupação. Nos vídeos, é possível ver agentes avançando contra o grupo enquanto estudantes relatam agressões físicas durante a operação.

Operação da PM termina com estudantes feridos

Segundo informações divulgadas pela assessoria do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, vários alunos sofreram ferimentos durante a operação da Polícia Militar realizada na madrugada deste domingo (10) para desocupar a Reitoria da universidade.

O DCE também informou que quatro estudantes foram levados pelos policiais ao 7º Distrito Policial, localizado entre os bairros da Lapa e Vila Romana, na Zona Oeste de São Paulo.

Em nota oficial, a Reitoria da USP afirmou que não foi avisada previamente sobre a ação de retirada dos manifestantes e lamentou os episódios de confronto registrados durante a operação policial. A universidade destacou ainda que defende o diálogo e a convivência democrática dentro do ambiente acadêmico.

“A USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”, declarou a instituição.

Nota PM

Em nota, a Polícia Militar informou que cerca de 150 pessoas foram retiradas do prédio da Reitoria da USP durante a operação realizada na madrugada deste domingo (10). Segundo a corporação, a ação ocorreu sem registro de feridos e foi acompanhada por câmeras corporais utilizadas pelos agentes envolvidos.

“Após a desocupação, uma vistoria no espaço constatou os danos ao patrimônio público, entre eles a derrubada do portão de acesso, portas de vidro quebradas, carteiras escolares danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. No local, também foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes”, disse a corporação.

A corporação também informou ter apreendido objetos considerados perigosos durante a ação, incluindo facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes, além de entorpecentes encontrados no interior da reitoria.

“A Polícia Militar afirmou que os quatro estudantes detidos por dano ao patrimônio público e alteração de limites. Após a qualificação, elas foram liberadas. A Polícia Militar ressalta que O policiamento segue no local para garantir a ordem pública e a integridade do patrimônio público”, afirmou.

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Nota da USP

“A Universidade de São Paulo (USP) lamenta os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da Reitoria, ocorrido na manhã deste domingo, dia 10 de maio.

Cumprindo seu dever de ofício de proteção da integridade física dos docentes, servidores técnico-administrativos, estudantes e terceirizados, bem como dos espaços físicos, a Reitoria informou sobre a ocupação à Secretaria de Segurança Pública (SSP), no mesmo dia do ocorrido (7/5), com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem de competência das autoridades policiais.

Na manhã deste dia 10 de maio, sem comunicação prévia à Reitoria, houve a desocupação do espaço público pela Polícia Militar. Segundo nota oficial da SSP, “a Polícia Militar ressalta que eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.

Importante ressaltar que, ao longo de todo esse período, a Reitoria manteve a disposição permanente para o diálogo e para o acompanhamento dos encaminhamentos acordados nas negociações com o movimento estudantil. As tratativas, no entanto, chegaram a um limite diante:

  • Do atendimento de diversos itens da pauta por parte da Reitoria;
  • Da constituição de sete grupos de trabalho para estudo de viabilidade de outros pontos da pauta;
  • Da insistência em reivindicações que não podem ser atendidas; e
  • De itens de pauta fora do âmbito de atuação da Universidade e a presença de pessoas externas à comunidade acadêmica.

A Reitoria segue aberta a um novo ciclo de diálogo com a finalidade de consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil, o que pressupõe a manutenção do direito de ir e vir em todos os espaços da Universidade.

Por fim, a USP repudia que a violência substitua o diálogo, a pluralidade de ideias e a convivência democrática como forma de avanço de pautas e solução de controvérsias e reforça que continuará atuando com responsabilidade institucional, buscando a pacificação do ambiente universitário”.

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