O padre José Luciano Jacques Penido, de 103 anos, morreu em Juiz de Fora (MG) após concluir a oração de uma Ave-Maria, fato que emocionou fiéis e religiosos. Integrantes da Congregação Redentorista relataram que ele faleceu um minuto antes das 18h. O sepultamento ocorreu na Hora do Angelus, com homenagens e cânticos. Ordenado em 1947, padre Penido teve mais de 70 anos de ministério e foi fundador do Museu do Escravo, deixando forte legado religioso e histórico.
Aos 103 anos, o padre José Luciano Jacques Penido morreu na última sexta-feira (9), em Juiz de Fora (MG), em um momento que emocionou fiéis e religiosos: ele faleceu logo após concluir a oração de uma Ave-Maria. Segundo relatos feitos durante o velório, o sacerdote morreu faltando um minuto para as 18h, encerrando sua vida terrena em meio à prece que marcou seu ministério e sua devoção mariana.
A informação foi compartilhada por membros da Congregação do Santíssimo Redentor durante as homenagens póstumas realizadas no domingo (11), na Capela Mortuária do Cemitério da Paróquia da Glória. O sepultamento aconteceu ao meio-dia, exatamente na Hora do Angelus, acompanhado pelo toque dos sinos da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória e cânticos tradicionais, em uma despedida simbólica e profundamente espiritual.
Natural de Belo Vale, em Minas Gerais, padre Penido nasceu em 18 de outubro de 1922, em uma família com 13 irmãos. Desde a infância demonstrou vocação religiosa e proximidade com os missionários redentoristas que atuavam na região. Ingressou no seminário aos 11 anos e foi ordenado sacerdote em 1947, em Belo Horizonte. Ao longo de mais de 70 anos de ministério, atuou como pároco, formador, missionário, professor e gestor pastoral em diversas cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.
Entre suas missões de destaque, esteve na liderança da antiga Província do Rio de Janeiro da Congregação Redentorista em um período de importantes transformações. Também teve atuação internacional, estudou teologia e jornalismo em Roma e colaborou com a Rádio Vaticana, ampliando ainda mais sua contribuição à Igreja.
Seu legado, porém, ultrapassa a esfera religiosa. Padre Penido foi responsável pela criação do Museu do Escravo, em Belo Vale, instituição reconhecida no país por preservar a memória da escravidão, da resistência negra e da luta dos povos africanos escravizados no Brasil. Sua iniciativa é lembrada como marco de valorização histórica e compromisso com a memória e a justiça social.
Em 2022, quando completou 100 anos, recebeu bênção apostólica do Papa Francisco e uma carta do Superior Geral dos Redentoristas, reconhecendo sua trajetória dedicada integralmente à fé, à Igreja e ao serviço ao próximo. A morte do sacerdote deixa tristeza, mas também uma herança de espiritualidade, humanidade e dedicação.
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