Há cinco anos, o capitão reformado do Exército Antônio Lúcio tenta provar que o filho Álvaro, de 16 anos, foi executado por policiais do Gefron em Brasiléia (AC). O jovem e o amigo Vicente, de 19, morreram em uma suposta troca de tiros, mas um perito independente apontou indícios claros de execução, os disparos foram feitos de curta distância e de cima para baixo. Apesar disso, o caso foi arquivado e o Ministério Público não recorreu.
Há cinco anos, o capitão reformado do Exército Antônio Lúcio busca justiça pela morte do filho Álvaro, de 16 anos, morto a tiros junto com o amigo Vicente, de 19, durante uma suposta troca de tiros com policiais do Gefron, grupo de elite que atua na fronteira do Acre com a Bolívia.
O caso aconteceu em 2020, em uma rua deserta de Brasiléia, cidade que há anos ocupa o topo dos índices de violência armada no estado. Naquela noite, quatro adolescentes foram baleados; dois morreram e dois sobreviveram, mas deixaram a região por medo de represálias e nunca mais foram localizados.
A versão oficial da polícia afirma que o grupo estava armado com facões, facas e uma arma de fogo, e que teria reagido à abordagem. Mas os familiares das vítimas contestam a narrativa e afirmam que houve execução.
Inconformado, Antônio Lúcio contratou um perito independente, que analisou fotos e laudos do caso. Segundo o especialista, que preferiu não se identificar por segurança, a perícia inicial foi falha e há fortes indícios de execução.
“Ao estudar as fotografias e os laudos, ficou claro que nenhum disparo havia sido feito a 15 metros de distância. O próprio legista afirmou que os tiros foram de pouquíssima distância e de cima para baixo, o que derruba qualquer tese de confronto ou legítima defesa”, afirmou o perito em entrevista ao Domingo Espetacular, da Record.
Mesmo diante das evidências, a Justiça arquivou o caso, e o Ministério Público do Acre não recorreu da decisão.
Agora, um novo episódio pode mudar o rumo dessa história. Em dezembro de 2023, a enfermeira Jéssica Oliveira foi morta com tiros de fuzil após ser perseguida por cinco viaturas do mesmo grupo, na BR-317, em Rio Branco. Inicialmente, o caso foi registrado como acidente de trânsito, mas os policiais mudaram a versão e alegaram que ela teria apontado uma arma e efetuado disparos. Um exame de DNA, porém, comprovou que Jéssica nunca tocou na arma.
Dois policiais envolvidos no caso cumprem prisão domiciliar, e o Ministério Público confirmou que um deles já havia participado de outras operações com mortes suspeitas.
O advogado das famílias vê semelhanças entre os dois casos e tenta usar as novas evidências para reabrir a investigação. Enquanto espera uma nova chance de justiça, Antônio Lúcio segue investigando sozinho o que aconteceu naquela noite em Brasiléia. Para ele, não há descanso até que o nome do filho seja limpo.