Pesquisa publicada no British Medical Journal revela que a interrupção de injeções emagrecedoras pode causar a recuperação do peso quatro vezes mais rápido que dietas convencionais. O estudo de Oxford aponta que, sem o apoio do medicamento, pacientes retornam ao peso original em cerca de um ano e meio. Especialistas e usuários alertam para a necessidade de mudança de hábitos e acompanhamento contínuo para evitar o efeito rebote acelerado.
O uso de medicamentos injetáveis para perda de peso, como Mounjaro e Wegovy, tornou-se um fenômeno global, mas um novo alerta científico acende uma luz amarela para quem interrompe o tratamento.
Uma pesquisa publicada no British Medical Journal revela que pacientes que suspendem o uso dessas substâncias podem recuperar os quilos perdidos em uma velocidade até quatro vezes superior à de pessoas que optam por métodos tradicionais, como dietas e exercícios físicos.
Os dados indicam que, embora as injeções proporcionem uma redução expressiva de aproximadamente 20% do peso corporal, a manutenção desses resultados depende da continuidade da medicação. Segundo o levantamento, após o fim das aplicações, os pacientes recuperam, em média, 0,8 kg por mês. Nesse ritmo, o indivíduo retorna ao peso que tinha antes de iniciar o tratamento em um intervalo de apenas dezoito meses.
O risco do efeito rebote
A pesquisadora Susan Jebb, vinculada à Universidade de Oxford, no Reino Unido, destaca a importância de os usuários estarem cientes do risco de uma recuperação ponderal acentuada. Ela esclarece que o ganho de peso pós-medicamento é significativamente mais agressivo do que o observado em programas de reeducação alimentar e atividades físicas. Enquanto os usuários das canetas recuperam o peso rapidamente, quem emagrece por métodos convencionais costuma levar cerca de cinco anos para retornar ao patamar inicial.
Uma das hipóteses levantadas pelos especialistas é que as dietas exigem um esforço comportamental e de contenção que as injeções, ao suprimirem drasticamente o apetite, acabam substituindo. Sem o apoio do fármaco e sem uma estratégia sólida de mudança de hábitos consolidada, o organismo tende a retomar o estoque de gordura de forma acelerada assim que a química deixa de atuar no sistema nervoso.
Relato de uso e a busca pelo corpo ideal
O portal BacciNoticias conversou com a consultora de moda Joana Cabral, que compartilha sua experiência com o uso dessas substâncias. Joana relata que utilizava inicialmente o Ozempic, mas migrou para o Wegovy há algum tempo, considerando esta última opção mais eficiente para o seu caso. Segundo a consultora, o medicamento tornou-se o principal aliado na manutenção da sua forma física.
A consultora explica que recorre à medicação principalmente para controlar episódios de ansiedade que refletem na alimentação. Joana afirma que, por gostar muito de comer e perceber o aumento da fome em momentos de estresse, utiliza o fármaco como um recurso imediato sempre que sente que está excedendo nos hábitos alimentares.
“Wegovy é melhor que o Ozempic, porque ele também tira gordura visceral“, declarou Joana.

Joana Cabral, atriz e consultora de moda || Reprodução: Redes Sociais
O depoimento de Joana ilustra a realidade de muitos pacientes que veem no Wegovy uma solução para a redução da gordura visceral e o controle do apetite. No entanto, o alerta dos pesquisadores de Oxford permanece fundamental: o uso pontual para “diminuir a fome” sem uma base de reeducação pode levar ao ciclo de ganho de peso acelerado assim que o tratamento é interrompido.
Análise ampla de dados científicos
O estudo britânico não se baseou em casos isolados, mas em uma revisão robusta de 37 pesquisas anteriores que monitoraram mais de 9 mil pacientes. O objetivo foi estabelecer uma comparação direta entre a eficácia e as consequências das “canetas” em relação a outras intervenções contra a obesidade.
Apesar da eficácia comprovada dos medicamentos no controle da balança durante o uso, os cientistas reforçam que a obesidade deve ser encarada como uma condição crônica. Isso significa que, para muitos casos, o tratamento pode exigir um acompanhamento de longo prazo, similar ao que ocorre com medicamentos para hipertensão ou diabetes, para evitar que o esforço da perda de peso seja anulado em poucos meses.
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