Scott Winters, um pastor da Flórida, nos Estados Unidos, entrou na Justiça contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, alegando que respostas fornecidas pelo chatbot contribuíram para atrasar o diagnóstico de uma embolia pulmonar potencialmente fatal. Segundo a ação, a ferramenta teria minimizado sintomas e desencorajado a busca por atendimento médico.
Scott Winters, um pastor da Flórida, nos Estados Unidos, entrou na Justiça contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, alegando que respostas fornecidas pelo chatbot contribuíram para atrasar o diagnóstico de uma embolia pulmonar potencialmente fatal. Segundo a ação, a ferramenta teria minimizado sintomas e desencorajado a busca por atendimento médico.

Pastor acusa o ChatGPT de minimizar sintomas e atrasar o diagnóstico de uma embolia pulmonar. Foto: Reprodução.
O processo foi protocolado no Tribunal Superior da Califórnia, em São Francisco, e também cita o CEO da OpenAI, Sam Altman. A defesa afirma que o caso pode abrir um precedente ao discutir a responsabilidade civil de empresas de inteligência artificial por supostos danos causados por orientações fornecidas aos usuários.
Scott diz que chatbot minimizou sintomas
De acordo com a ação judicial, Scott Winters começou a utilizar o ChatGPT em 2024 para esclarecer dúvidas relacionadas à própria saúde. Segundo o processo, no início a ferramenta costumava recomendar que ele procurasse um médico sempre que relatava sintomas considerados preocupantes.
Com o passar do tempo, porém, as respostas teriam mudado. A defesa afirma que o chatbot passou a minimizar os sinais descritos pelo pastor e sugeriu que ele permanecesse em casa, acreditando que o quadro melhoraria naturalmente.
Entre as mensagens anexadas ao processo está uma resposta em que a inteligência artificial afirma: “Deus não projetou seu corpo para falhar incessantemente”.
Segundo os advogados, a ferramenta também teria sugerido possíveis explicações para os sintomas e desencorajado o religioso a seguir conselhos de familiares e amigos, que insistiam para que ele fosse ao hospital.
Quadro de saúde piorou ao longo dos meses
Segundo os documentos apresentados à Justiça, Winters passou a sofrer episódios frequentes de tontura e chegou a interromper um sermão por causa do mal-estar.
Ainda de acordo com a ação, mesmo após relatar que pessoas próximas acreditavam que ele precisava procurar atendimento médico, o chatbot teria afirmado que esse tipo de recuperação era algo que “a maioria das pessoas simplesmente não entende”, incentivando o tratamento em casa.
Nas semanas seguintes, o pastor passou a permanecer grande parte do tempo sentado por causa das tonturas. A defesa sustenta que, mesmo diante da piora do quadro, as respostas da ferramenta continuaram tratando os sintomas como pouco preocupantes.
Hospital identificou embolia pulmonar
Em julho de 2025, o pastor relatou ao ChatGPT que sentia uma forte dor na região da virilha. Segundo a ação, a ferramenta respondeu que o sintoma fazia parte do histórico que ele já vinha apresentando.
Poucas horas depois, Winters foi levado ao hospital e internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde recebeu o diagnóstico de uma embolia pulmonar maciça.
Ainda conforme o processo, os médicos avaliaram que as tonturas registradas nos meses anteriores poderiam estar relacionadas a pequenas embolias pulmonares. A equipe médica também teria apontado que o período prolongado de repouso pode ter contribuído para a formação de novos coágulos.
Após a internação, o pastor precisou de auxílio para realizar atividades básicas, como caminhar, tomar banho e se alimentar. Segundo a defesa, ele ainda enfrenta sequelas físicas e emocionais.
Ação pede mudanças na ferramenta
Além de pedir indenização pelos danos sofridos, os advogados solicitam que a Justiça determine a suspensão do ChatGPT Health até que especialistas independentes avaliem a segurança da ferramenta.
A ação também pede que sejam adotados mecanismos mais rigorosos para impedir que sistemas de inteligência artificial forneçam respostas que possam ser interpretadas como diagnósticos médicos ou recomendações de tratamento.
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Segundo a organização Tech Justice Law, responsável pela representação do pastor, o caso levanta discussões sobre os limites da inteligência artificial em temas relacionados à saúde.
OpenAI nega irregularidades
Em nota, a OpenAI afirmou que os termos de uso deixam claro que o ChatGPT não foi desenvolvido para substituir médicos nem para realizar diagnósticos ou indicar tratamentos.
A empresa informou ainda que investe continuamente em melhorias para tornar as respostas relacionadas à saúde mais seguras e que as versões mais recentes do sistema conseguem identificar melhor situações potencialmente graves, incentivando os usuários a procurar atendimento médico.
A OpenAI também afirmou que atribuir decisões médicas exclusivamente às respostas de um chatbot simplifica um problema complexo e pode limitar o desenvolvimento de ferramentas que, quando utilizadas corretamente, podem auxiliar usuários na busca por informações.
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