Em entrevista concedida na quinta-feira (11) a um podcast, Maria Eduarda, conhecida como Penélope, quebrou o silêncio após meses de boatos sobre o seu paradeiro. Dada como morta durante a megaoperação das polícias do Rio de Janeiro no dia 28 de outubro de 2025, a jovem desmentiu sobre a existência da “Japinha do CV”. Ela detalhou o pânico de ver seu nome nos noticiários.

'Japinha do CV' se pronuncia em vídeos após polêmica de que estaria morta
'Japinha do CV' se pronuncia em vídeos após polêmica de que estaria morta

Pouco mais de sete meses após uma das ações policiais mais violentas da história recente do Rio de Janeiro, Maria Eduarda, amplamente conhecida nas redes sociais e nas comunidades como “Penélope“, reapareceu publicamente para dar detalhes dos boatos sobre sua morte.

Apontada na época como a criminosa “Japinha do CV” e dada como morta na ação, a jovem quebrou o silêncio em entrevista ao Cool Cast na quinta-feira (11). Penélope detalhou o terror que viveu ao ver seu nome nos principais jornais do país e anunciando uma mudança radical de vida.

Megaoperação do Rio

A megaoperação a que Penélope se refere foi realizada pelas polícias do estado do Rio de Janeiro no dia 28 de outubro de 2025. A histórica ação na comunidade da Penha deixou um saldo de 121 mortos, sendo quatro deles policiais.

Pânico nos bastidores: “Achei que ia morrer”

Durante o cerco policial de outubro, boatos na internet cravaram que Penélope teria sido uma das baixas da facção, com direito a fotos falsas de um corpo desfigurado circulando em grupos de mensagens.

Na entrevista de quinta-feira (11), ela relembrou os momentos de puro pânico enquanto estava escondida com outra pessoa enquanto a operação avançava.

 “No começo, quando eu vi essa repercussão toda, eu odiei. Fiquei pensando: ‘Gente, o que que eu vou fazer da minha vida agora? Estou fodida…’. Eu só pensava: ‘vou morrer, vou morrer, vou morrer'”, desabafou a jovem.

Penélope contou que o impacto de ver sua imagem atrelada ao crime organizado na televisão quase a fez perder as esperanças. “Eu pensava, acabou com a minha vida. Ali acabou minha história. Não tenho mais vida, não vou poder fazer mais nada”, lamentou, lembrando o sentimento de impotência ao ver os noticiários.

“Japinha não existe”

Além de provar que está viva, Maria Eduarda fez questão de negar o apelido que ganhou as páginas policiais. Segundo ela, a  “Japinha do CV” e as histórias que passaram a cercar seu nome foram uma criação da internet.

Ela reforçou que seu nome é Maria Eduarda, conhecida como Penélope, e que possui sua própria história. Admitindo o envolvimento prévio, explicou que há coisas de seu passado que ela prefere deixar para trás e que não leva mais para a sua vida atual, não fazendo mais parte desse mundo.

Assista trecho da entrevista:

Conselho familiar e a decisão de fugir do crime

O ponto de virada para Penélope veio através do sofrimento de sua mãe e do aconselhamento de pessoas próximas, inclusive de dentro das próprias comunidades, que a alertaram de que o enorme alcance que seu nome tomou na mídia era a oportunidade perfeita para sumir do radar e recomeçar.

No podcast, ela revelou o teor dos conselhos que recebeu:

“Povo da minha família me aconselhando… ficou falando para mim: ‘Esse é o momento de você sair e seguir sua vida… começar até dar orgulho mais para sua mãe, porque… tu vê como é que tua mãe fica?'”

Ao ver o peso na consciência e o sofrimento familiar, ela tomou a decisão de sumir.

Apesar do medo de sofrer retaliações ou de carregar o “nome sujo” na internet para sempre, Maria Eduarda juntou forças para abandonar a criminalidade. “Aí eu tive a coragem de sair, entendeu? Sair e tentar começar uma vida mais tranquila, levar uma vida de boa”, concluiu a jovem, que agora tenta reconstruir sua história sob o anonimato.

 

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