O caso do idoso, de 88 anos, que foi declarado morto e voltou a apresentar sinais vitais em uma funerária, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, reacendeu o debate sobre falhas na constatação de óbito no país.

Foto: Reprodução / Google Maps.
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O caso do idoso, de 88 anos, que foi declarado morto e voltou a apresentar sinais vitais em uma funerária, em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, reacendeu o debate sobre falhas na constatação de óbito no país.

Caso ocorreu durante preparação do corpo em funerária. Foto: Divulgação.

O paciente havia sido atendido em uma unidade de saúde e teve a morte confirmada por insuficiência respiratória, mas voltou a respirar durante os preparativos para o velório.

O que diz a perita

Segundo a médica e perita Caroline Daitx, a constatação da morte exige rigor técnico e não pode ser feita de forma superficial.

“A confirmação da morte exige avaliação clínica minuciosa, incluindo reações a estímulos, movimentos respiratórios e pulso central palpável”, explica.

Ela também destaca que o processo envolve a verificação de diversos sinais clínicos, como ausência de respiração, pulso e atividade cardíaca, além de exames como o eletrocardiograma.

O que é “morte aparente”

A perita explica que o caso pode estar relacionado a um fenômeno conhecido como “morte aparente”, quando as funções vitais ficam extremamente reduzidas.

“Pacientes muito graves podem apresentar longos períodos de apneia seguidos de respirações agônicas. Se a avaliação médica ocorrer nesse intervalo, existe o risco de uma interpretação equivocada”, alerta Caroline.

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Nessas situações, o paciente pode apresentar:

  • respiração quase imperceptível
  • ausência momentânea de pulso detectável
  • períodos de apneia seguidos de respirações fracas

Nesses casos, as funções vitais ficam extremamente reduzidas, o que dificulta a identificação correta dos sinais.

Caso pode gerar responsabilização

O episódio é investigado pela Polícia Civil como possível omissão de socorro.

De acordo com a perita, a situação pode ter desdobramentos:

  • Éticos, com análise por conselhos médicos
  • Civis, com possível indenização à família
  • Penais, caso haja comprovação de erro profissional

Para Caroline Daitx, o episódio evidencia a necessidade urgente de reforço nos protocolos médicos.

“A constatação do óbito não pode ser tratada como um procedimento burocrático. É um ato médico de alta complexidade, que exige tempo, atenção e treinamento contínuo”, destaca.

Além disso, ela também aponta que a confirmação da morte não deve ser tratada como um ato burocrático.

 “Observação prolongada do paciente, uso de eletrocardiograma e dupla checagem por profissionais são fundamentais para reduzir riscos”, conclui.

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