A Inteligência Artificial deve transformar profundamente o mercado de trabalho nos próximos anos, impactando diretamente mais de um quinto das ocupações no mundo. Apesar do temor de substituição de profissionais por máquinas, um levantamento do Fórum Econômico Mundial revela que o avanço tecnológico tende a gerar mais empregos do que eliminar. O estudo indica que novas funções ligadas à economia digital, tecnologia, saúde e sustentabilidade devem crescer, enquanto cargos administrativos tradicionais perdem espaço. No Brasil, especialistas avaliam que os efeitos começam a ser sentidos já a partir de 2026, exigindo qualificação técnica e desenvolvimento de habilidades humanas.

Imagem: Stokkete/Shutterstock
Imagem: Stokkete/Shutterstock

O mercado de trabalho global está prestes a passar por uma das maiores transformações das últimas décadas. De acordo com o Relatório Sobre o Futuro dos Empregos 2025, do Fórum Econômico Mundial, a integração da Inteligência Artificial (IA) e das tecnologias de automação deve transformar 22% das ocupações em todo o mundo até 2030.

Mesmo diante do receio de que máquinas substituam trabalhadores, os dados apontam um cenário considerado positivo. O relatório projeta a criação de 170 milhões de novos postos de trabalho, impulsionados principalmente pela economia digital, enquanto 92 milhões de funções tradicionais devem desaparecer. O resultado é um saldo líquido de 78 milhões de novas oportunidades de emprego.

Para Marcelo Cordeiro, coordenador dos cursos de Gestão e Tecnologias do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), essas mudanças devem se refletir no mercado brasileiro já a partir de 2026. “O profissional que esse novo cenário exige precisa unir conhecimentos técnicos e digitais, com forte capacidade analítica e comportamento adaptável”, afirma.

A ascensão do “profissional aumentado”

O relatório destaca que a Inteligência Artificial não deve atuar apenas como ferramenta de automação, mas como um motor de produtividade. A estimativa é que 43% das tarefas empresariais sejam automatizadas até 2027. Nesse contexto, ganha força o conceito do chamado “trabalhador aumentado”, que utiliza a tecnologia para ampliar sua capacidade analítica, criativa e estratégica.

“Não se trata mais de executar tarefas repetitivas. As empresas buscam profissionais capazes de interpretar dados, usar ferramentas como Business Intelligence e trabalhar em conjunto com a tecnologia para melhorar processos e resultados”, explica Cordeiro.

Segundo o Fórum Econômico Mundial, as habilidades mais valorizadas e melhor remuneradas até 2030 serão o pensamento analítico e criativo, a alfabetização em IA e Big Data e competências humanas como liderança e influência social, essenciais para a gestão de equipes híbridas, formadas por pessoas e sistemas inteligentes.

Quem deve ganhar mais

O estudo também aponta quais áreas devem liderar a criação de vagas com salários mais altos. Entre elas estão especialistas em Inteligência Artificial, analistas de dados, profissionais de cibersegurança, engenheiros de energias renováveis, analistas de sustentabilidade e funções ligadas à criatividade.

Em contrapartida, funções administrativas de escritório, caixas de bancos e do comércio figuram entre as que devem apresentar maior declínio salarial e redução de postos de trabalho.

No campo das competências comportamentais, a capacidade de adaptação passa a ser decisiva. “Criatividade, liderança, comunicação clara e trabalho em equipes multidisciplinares deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos”, reforça o coordenador.

Profissões em alta e setores em expansão

O relatório lista as ocupações com maior potencial de crescimento nos próximos anos. Curiosamente, áreas tradicionais também aparecem entre as que mais devem gerar vagas, ainda que com remuneração menor, ao lado de tecnologia e saúde, que concentram os melhores salários.

Entre os destaques estão:

  • Construção e infraestrutura, com demanda por carpinteiros, azulejistas e operários especializados;

  • Agronegócio e alimentos, incluindo trabalhadores agrícolas e profissionais de processamento;

  • Logística e transporte, como motoristas e serviços de entrega;

  • Tecnologia e gestão, com desenvolvedores de software, gestores de projetos e gerentes de operações;

  • Educação e cuidado humano, como professores, profissionais de enfermagem, assistência social e cuidadores;

  • Varejo e hospitalidade, com vendedores e atendentes de alimentação.

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