A Polícia Federal deflagrou a terceira fase da Operação Rent a Car e cumpriu cinco mandados contra pessoas ligadas ao deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A investigação apura suspeitas de desvio de recursos da cota parlamentar, lavagem de dinheiro, peculato, fraude processual e organização criminosa. Sóstenes não é alvo desta etapa, mas o caso está relacionado às buscas realizadas contra ele em 2025.

Reunião de Líderes. Dep. Sóstenes Cavalcante (PL - RJ) — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Reunião de Líderes. Dep. Sóstenes Cavalcante (PL - RJ) — Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (01), a terceira fase da Operação Rent a Car, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio da cota parlamentar da Câmara dos Deputados. A ação teve como principais alvos pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do Partido Liberal na Câmara, embora o parlamentar não seja alvo direto das medidas desta etapa.

Dinheiro encontrado durante a operação - Foto: Divulgação/PF

Dinheiro encontrado durante a operação – Foto: Divulgação/PF

A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e busca aprofundar as investigações sobre a movimentação e o destino de recursos públicos que, segundo a Polícia Federal, podem ter sido desviados por meio de contratos relacionados ao mandato parlamentar.

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Mandados em três estados

Ao todo, a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.

Entre os principais alvos estão pessoas responsáveis por realizar saques em dinheiro de valores investigados pela corporação, além de um advogado mineiro que teria apresentado informações sobre a negociação de um imóvel ligado ao caso.

Segundo a PF, os investigadores apuram indícios de que agentes públicos, particulares e empresas teriam sido utilizados para dar aparência de legalidade à movimentação dos recursos públicos.

Além disso, a corporação também investiga possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, o que pode configurar o crime de fraude processual.

Crimes investigados

De acordo com a Polícia Federal, a investigação apura a possível prática dos seguintes crimes:

  • Peculato;
  • Lavagem de dinheiro;
  • Organização criminosa;
  • Fraude processual.

A corporação afirma que as diligências desta nova fase têm como objetivo esclarecer como os recursos foram movimentados e identificar todos os envolvidos no suposto esquema.

Relembre a investigação

A Operação Rent a Car ganhou repercussão nacional em dezembro do ano passado, quando a Polícia Federal realizou buscas relacionadas ao deputado Sóstenes Cavalcante.

Na ocasião, agentes apreenderam mais de R$ 460 mil em dinheiro vivo em um endereço ligado ao parlamentar.

Na época, Sóstenes afirmou ser alvo de perseguição política por ser integrante da direita e explicou que o dinheiro era resultado da venda de um imóvel realizada dias antes da operação.

Segundo o deputado, o comprador optou por efetuar o pagamento em espécie e o valor ainda não havia sido depositado em conta bancária.

“Acabei não fazendo depósito, mas faria. Inclusive, parte dele, eu tinha pensado em fazer outros negócios”, declarou na ocasião.

Suspeita envolve empresa de aluguel de carros

A principal linha de investigação aponta que uma empresa de locação de veículos contratada por parlamentares e remunerada com recursos da cota parlamentar teria continuado recebendo pagamentos mesmo após ter sido encerrada de forma irregular.

A Polícia Federal suspeita que o esquema tenha servido para desviar recursos públicos destinados ao exercício da atividade parlamentar.

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A cota parlamentar é um benefício mensal pago aos deputados federais para custear despesas relacionadas ao mandato, como aluguel de escritório, passagens aéreas, hospedagem, combustível, consultorias e locação de veículos.

Sóstenes não é alvo desta fase

Embora a investigação continue relacionada ao caso envolvendo o deputado, Sóstenes Cavalcante não figura entre os alvos dos mandados cumpridos nesta quarta-feira.

Até a publicação desta reportagem, o parlamentar não havia se manifestado sobre a nova etapa da operação.

Carlos Jordy também já foi investigado

Na fase anterior da Operação Rent a Car, realizada no fim de 2025, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) também foi alvo de buscas.

Na ocasião, ele afirmou que a operação era “covarde” e negou qualquer irregularidade, dizendo que apenas utilizava a mesma empresa de aluguel de veículos desde o início de seu mandato.

As investigações seguem em andamento sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

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