Policial penal que conviveu com Vaqueirinho afirmou que o sistema tentou ajudar o adolescente, conhecido por pequenos delitos desde a infância. Ele disse que críticas nas redes ignoram o contexto e relatou que a avó do jovem não pôde acolhê-lo após seu último alvará. Segundo o agente, a situação do adolescente era complexa e tratada com humanidade dentro das limitações.
Um policial penal que conviveu diretamente com Vaqueirinho — adolescente que morreu após invadir a jaula de uma leoa no Parque Arruda Câmara, em João Pessoa — se pronunciou para rebater críticas sobre a atuação do sistema penitenciário. Em um relato gravado, ele explicou que muitos comentários publicados nas redes sociais demonstram desconhecimento sobre a realidade do jovem.
Segundo o agente, é comum que policiais penais sejam vistos como “duros” ou “insensíveis”, mas ele afirma que, no dia a dia, o trabalho é conduzido com o máximo de humanidade possível. “A gente tenta tratar cada caso com respeito, dentro dos limites que o sistema permite”, disse.
O policial lembrou que Vaqueirinho acumulava passagens por pequenos furtos e danos desde muito novo, o que já mostrava um histórico complexo. Ele contou ainda que esteve presente no momento em que o adolescente recebeu seu último alvará de soltura. “Fui eu e meu diretor adjunto. Quando chegamos na casa da avó, ela disse que não tinha condições de ficar com ele. Aquilo deixou claro que ele estava sem estrutura nenhuma”, relatou.
Falta de apoio familiar
Para o agente, essa falta de apoio familiar e a trajetória confusa do jovem reforçam que sua situação era delicada muito antes do episódio que chamou a atenção nacional. “O problema do Vaquerinho não era localizado; era geral. E, mesmo assim, tentamos ajudar. Fizemos o que estava ao nosso alcance.”
O policial encerrou dizendo que parte das críticas que circulam nas redes não considera a realidade de quem trabalha diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade. “As pessoas sugerem ‘leva pra casa’, como se fosse simples. Mas ninguém sabe o contexto todo.”
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