Os preços internacionais do açúcar registraram forte alta nesta segunda-feira (2), impulsionados pelo temor de que o conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel eleve o valor do petróleo e aumente a demanda por etanol no Brasil. Como o país é o maior produtor mundial de açúcar, uma eventual migração da produção para o biocombustível pode reduzir a oferta do adoçante no mercado global.

Preço do açúcar dispara por receio de maior demanda de etanol após início do conflito no Irã
Preço do açúcar dispara por receio de maior demanda de etanol após início do conflito no Irã

Os preços mundiais do açúcar avançaram mais de 3% nesta segunda-feira (2), refletindo preocupações com os desdobramentos do conflito no Oriente Médio e seus impactos sobre o mercado de energia.

A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel tem provocado alta nas cotações do petróleo, o que pode estimular a produção de etanol no Brasil. Como o etanol é fabricado a partir da cana-de-açúcar, um aumento na demanda pelo biocombustível pode reduzir a quantidade de matéria-prima destinada à produção de açúcar.

Nos contratos futuros negociados na ICE, o açúcar bruto subia 2,5%, para 14,23 centavos de dólar por libra-peso, às 7h45 (horário de Brasília). Já o açúcar branco avançava 3,2%, para US$ 420,50 por tonelada.

Produção no Brasil

O Brasil é o maior produtor mundial de açúcar e também um dos principais produtores de etanol. Em cenários de petróleo mais caro, as usinas tendem a direcionar mais cana para o biocombustível, que se torna mais competitivo frente à gasolina.

Segundo avaliação de um consultor do setor sucroalcooleiro, o encadeamento é direto: petróleo mais caro eleva os preços do etanol, o que reduz a produção de açúcar. A expectativa é que, caso as cotações internacionais do petróleo permaneçam elevadas, haja pressão para reajustes internos nos combustíveis.

O movimento mostra como tensões geopolíticas no Oriente Médio podem rapidamente afetar cadeias globais de commodities, com reflexos que vão da energia aos alimentos.

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