O governo autorizou reajuste de até 3,81% no preço de medicamentos a partir desta terça-feira. O aumento médio será de 1,95%, abaixo da inflação. Percentuais variam conforme o nível de concorrência, e farmácias devem respeitar os tetos definidos pela CMED.
Os preços dos medicamentos vendidos no Brasil podem sofrer reajuste a partir desta terça-feira (31), com aumento máximo de até 3,81%, conforme resolução publicada no Diário Oficial da União.
A autorização foi definida pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, órgão responsável por estabelecer os limites de preços no país.
Como funciona o reajuste
O aumento segue um modelo dividido em três níveis, que funcionam como teto para os preços:
- Nível 1: até 3,81%
- Nível 2: até 2,47%
- Nível 3: até 1,13%
Essas faixas variam de acordo com fatores como concorrência no mercado e presença de medicamentos genéricos.
Em geral, produtos com maior número de fabricantes — como os genéricos — ficam no nível mais alto de reajuste permitido, enquanto medicamentos com pouca concorrência têm limites menores.
Neste ano, o reajuste médio autorizado ficou em até 2,47%, o menor em quase 20 anos e abaixo da inflação medida pelo IPCA.
Quais medicamentos entram em cada faixa
Entre os remédios mais utilizados no país, a distribuição costuma seguir o nível de concorrência:
- Alta concorrência (Nível 1): medicamentos comuns para hipertensão, colesterol e diabetes, como diuréticos, betabloqueadores, estatinas e metformina.
- Concorrência intermediária (Nível 2): tratamentos mais recentes, incluindo alguns antidepressivos e medicamentos de marca com menos concorrentes.
- Baixa concorrência (Nível 3): produtos mais novos ou complexos, como determinadas insulinas de longa duração.
Aumento não é obrigatório
Apesar da autorização, os reajustes não são automáticos. As farmacêuticas podem optar por aplicar aumentos menores — ou até não reajustar — desde que respeitem os limites estabelecidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos.
Além disso, os aumentos podem ser repassados gradualmente ao longo dos meses.
Controle de preços
O Brasil adota um sistema de controle no setor farmacêutico. A CMED define dois valores principais:
- Preço Fábrica (PF): valor máximo cobrado pela indústria
- Preço Máximo ao Consumidor (PMC): teto permitido nas farmácias
Os estabelecimentos não podem ultrapassar esses limites e devem manter listas atualizadas disponíveis ao público.
Impacto para o consumidor
O efeito do reajuste varia conforme o tipo de medicamento e a frequência de uso. Quem depende de tratamentos contínuos, como para hipertensão ou diabetes, tende a sentir mais o impacto ao longo do tempo.
Por outro lado, a concorrência entre marcas e a ampla oferta de genéricos ajudam a reduzir o impacto. Descontos, programas de fidelidade e promoções também podem amenizar o preço final.
Na prática, isso significa que nem todos os remédios terão aumento imediato — e, em alguns casos, os preços podem até permanecer estáveis.
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