Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, o promotor Francisco Cembralli, responsável pelo caso Nardoni, comentou sobre a representação que cita o pai de Alexandre Nardoni no caso que chocou o país em 2008, enviada pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) para que seja investigada a suposta participação.

Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni (Foto: Divulgação/Netflix)
Anna Carolina Jatobá e Alexandre Nardoni (Foto: Divulgação/Netflix)

Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, o promotor Francisco Cembralli, responsável pelo caso Nardoni, comentou sobre a representação que cita o pai de Alexandre Nardoni no caso que chocou o país em 2008, enviada pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) para que seja investigada a suposta participação.

O crime, ocorrido há 17 anos, pode ganhar um novo capítulo com as novas informações, conforme petição se baseia no relato de uma policial penal que teria ouvido da própria Anna Carolina Jatobá, madrasta de Isabella, que Antônio teria ajudado a criar álibis para o casal e até mesmo instigado a execução da criança. O pai de Alexandre não foi investigado na época do crime.

Segundo Cembralli, o crime ainda não prescreveu, já que “a prescrição para esse tipo de delito é de 20 anos, e nós ainda não atingimos esse montante”.

O promotor lembrou que, na época das investigações, surgiu a suspeita sobre o envolvimento do pai de Nardoni. “Sim, a Polícia Civil investigou, mas nós não conseguimos levantar nada objetivamente que justificasse a inclusão de mais alguém no polo ativo da denúncia”, explicou.

Ele reforçou que não houve novos elementos que sustentassem uma mudança no processo, por isso, não houve nada que justificasse a modificação daquele quadro.

Segundo ele, eventuais relatos isolados não foram formalizados como provas.

“Se uma pessoa viu a conversa e isso não foi trazido para dentro da investigação, aparentemente o que temos é o que todos sabem. O processo foi adiante apenas movido contra aqueles dois réus. É mais ou menos por aí”, concluiu.

Promotor do caso Richthofen comenta novos desdobramentos

O promotor Nadir de Campos, conhecido por sua atuação no caso Richthofen, comentou a representação enviada pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+.

Em suas declarações, o promotor trouxe à tona um fato que sempre gerou questionamentos: a suposta ligação telefônica entre pai e filho no dia do crime.

“Havia um hiato entre o momento da projeção da criança do sexto andar e o momento em que a gente da PM chega no local para fazer a preservação”, lembrou. Ele destacou que, na época, “há uma identificação de uma chamada na qual Alexandre teria conversado com o pai.”

O promotor ressaltou que esse debate existia na época, especialmente pelo fato de Antônio ser formado em direito. Questionava-se se o pai “havia ou não orientado o filho Alexandre para que ele arremessasse” a criança.

No entanto, Nadir fez uma ressalva importante sobre a possível participação de Antônio Nardoni.

“A associação, como qualquer pessoa que tenha conhecimento dos fatos, pode pedir ao MP que se investigue esse fato novo. Mas é preciso deixar bem claro: se houve uma orientação do pai de Nardoni, não há tecnicamente uma participação na morte da neta. O que há é uma espécie de favorecimento.”

A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ presidida pelo deputado estadual suplente Agripino Magalhães Júnior, também pede medidas de proteção à policial penal que fez a denúncia. O grupo solicita a reabertura do inquérito para apurar o envolvimento de Antônio Nardoni.

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