O brutal assassinato de Isabella Nardoni em 2008 chocou o país. Após 17 anos, a memória daquele crime ainda é dolorosa, mas para os moradores da Zona Norte de São Paulo, a dor se mistura com a indignação. Condenados pela morte da menina, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá estão de volta às ruas e são vistos com frequência em locais públicos da região.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá  (Foto: Reprodução)
Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (Foto: Reprodução)

O brutal assassinato de Isabella Nardoni em 2008 chocou o país. Após 17 anos, a memória daquele crime ainda é dolorosa, mas para os moradores da Zona Norte de São Paulo, a dor se mistura com a indignação. Condenados pela morte da menina, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá estão de volta às ruas e são vistos com frequência em locais públicos da região.

Apesar das sentenças de 30 anos para Alexandre e 26 anos e 8 meses para Anna Carolina, o casal agora vive em liberdade. Anna deixou a cadeia em 21 de junho de 2023, e Alexandre, em 6 de maio de 2024, para cumprirem o restante de suas penas em regime aberto.

Eles se reencontraram fora da prisão e voltaram a viver juntos em um condomínio na região de Santana.

Em uma tentativa de se distanciar de seu passado sombrio, Anna Carolina Jatobá buscou mudar sua aparência, passando por uma harmonização facial e tingindo os cabelos de loiro. No entanto, as alterações não foram suficientes para impedir que ela fosse reconhecida em público.

Revolta dos Moradores e Ação na Justiça

A presença do casal em locais públicos como supermercados e shoppings tem gerado desconforto e insegurança entre os moradores, que se mobilizaram contra a situação. Em um esforço para reverter a presença dos dois no bairro, um abaixo-assinado foi protocolado no Ministério Público de São Paulo.

O deputado estadual suplente e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, Agripino Magalhães Júnior, apresentou uma denúncia formal ao Ministério Público, classificando a liberdade do casal como uma “afronta à sociedade”. No documento, datado de 24 de agosto de 2025, ele expressa indignação com o fato de Nardoni e Jatobá estarem circulando livremente e pede providências criminais imediatas.

Entre as medidas solicitadas na representação, estão:

  • Reavaliação da liberdade condicional do casal.
  • Aplicação de tornozeleiras eletrônicas.
  • Proibição de que permaneçam juntos.
  • Avaliação psiquiátrica.
  • Obrigatoriedade de serviços comunitários.
  • Fiscalização rigorosa das condições impostas pela Justiça.

Além disso, foi sugerido que Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá não possam exercer atividades profissionais ligadas à empresa do pai de Alexandre, Antônio Nardoni.

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Flagrados em casamento

(Foto: Reprodução/SBT)

Em março de 2024, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram vistos juntos pela primeira vez desde a saída da prisão, durante um casamento na Zona Norte de São Paulo, onde atuaram como padrinhos. Na ocasião, Jatobá já estava em regime aberto, enquanto Nardoni havia recebido uma autorização judicial para uma saída temporária de cerca de uma semana, antes de retornar à Penitenciária de Tremembé.

Para participar da cerimônia, que começou após as 20h, o casal precisou de uma liberação específica da Justiça, já que, segundo a Lei de Execução Penal, não podem permanecer fora de casa durante a noite, nem consumir bebidas alcoólicas.

Os noivos enviaram uma carta à Justiça explicando a importância da presença do casal: “Eu e meu futuro esposo iremos nos casar no dia 15/3/2024, a partir das 20 horas. Convidamos Alexandre Alves Nardoni e sua esposa, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá, para serem nossos padrinhos de casamento. A presença deles seria importante demais para nós por ser um momento único e especial em nossas vidas”.

Durante o evento, Nardoni vestiu terno com colete, camisa branca e gravata azul-claro, enquanto Jatobá escolheu um vestido azul-claro em tom semelhante ao da gravata do companheiro.

Relembre o caso

(Foto: reprodução/Antonio Milena/ AE)

Em 29 de março de 2008, Isabella Nardoni, de 5 anos, foi encontrada no jardim do Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, após cair do sexto andar. A menina estava sob os cuidados do pai, Alexandre, e da madrasta, Anna Carolina Jatobá.

Inicialmente, Alexandre alegou que o apartamento havia sido invadido, mas a perícia apontou que Isabella foi agredida, asfixiada e, em seguida, arremessada pela janela. Foram encontradas marcas de sangue no carro e no apartamento, além de sinais de que a tela de proteção da janela havia sido cortada de dentro para fora.

A investigação concluiu que o crime ocorreu após uma discussão entre Alexandre e a madrasta, resultando na morte da menina.

Pelo crime, Jatobá foi sentenciada a 26 anos e 8 meses de prisão e liberada em 2023. Alexandre, por sua vez, recebeu a pena de 30 anos e saiu em 2024, para cumprir os 60% restantes de sua pena em regime aberto.

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