Em entrevista ao BacciNotícias, o influenciador Rick Neker explica as distinções fundamentais entre os movimentos PuppyPlay, Therian e Furry, combatendo estereótipos que reduzem essas vivências ao fetiche. Neker destaca o papel do afeto e da criatividade nessas comunidades e relata como o julgamento externo afeta o bem-estar emocional dos participantes. O diálogo reforça a necessidade de empatia e informação correta para tratar de identidades pouco convencionais na mídia.
Nos últimos dias, internautas têm se deparado com vídeos de pessoas que se identificam como animais e que ganham repercussão, muitas vezes acompanhados de desinformação. Para esclarecer as nuances entre movimentos que frequentemente são confundidos, em entrevista ao BacciNotícias, o influenciador Rick Neker explica as distinções fundamentais entre PuppyPlay, Therian e o movimento Furry.
De acordo com Neker, o PuppyPlay é uma prática performática e consensual, na qual o indivíduo adota o papel de um filhote para relaxamento e expressão emocional. Já o Therian refere-se a uma identidade pessoal profunda, onde o indivíduo se sente, espiritual ou psicologicamente, como um animal. Por fim, o movimento Furry é definido como uma subcultura criativa focada em animais antropomórficos, centrada na arte e na socialização comunitária.

Imagem/Reprodução: Arquivo Pessoal fornecida ao BacciNotícias
Identidade, afeto e o estigma do fetiche
Um dos maiores desafios enfrentados por esses grupos é a redução de suas vivências ao campo do fetiche ou da bizarrice. Rick Neker ressalta que, no PuppyPlay, a experiência transcende o erótico, envolvendo laços de cuidado e pertencimento.
“Na minha vivência, envolve muito afeto e pertencimento, eu mesmo tenho um namorado que entende quando quero brincar de ser Pup, e que se torna meu dono quando estamos em eventos específicos ou carnaval. Sair de coleira na rua, com ele levando a guia, me faz sentir livre, me traz orgulho e felicidade”, revela o influenciador.
Ele pontua que o cuidado emocional é constante dentro das “matilhas”, onde membros trocam experiências e fortalecem vínculos de amizade e suporte mútuo.
No que tange à identidade Therian, Neker destaca que a incompreensão do público muitas vezes é alimentada por conteúdos virais que não representam a maioria silenciosa da comunidade. Para muitos, a experiência é uma vivência subjetiva e privada, longe das performances chamativas que circulam nas redes sociais.
“Para a maioria dos Therian, isso não é algo exibido publicamente nem uma performance, mas uma vivência privada que faz parte da forma como a pessoa se percebe”, explica.
O influenciador reforça que reconhecer essas identidades sem estigmas exige entender a diversidade individual, evitando interpretações equivocadas baseadas apenas em recortes polêmicos da internet.
A desmistificação do movimento Furry
Frequentemente associado de forma errônea à sexualização exclusiva, o movimento Furry é, na verdade, um ambiente de intensa produção artística e inclusão social. Rick Neker observa que a mídia tende a focar em aspectos sensíveis, ignorando a força da comunidade que promove workshops, convenções e atividades beneficentes.
“Na prática, o Movimento Furry para a maior parte dos participantes, trata-se de um hobby comparável a outros fandoms ou ao cosplay, criar personagens, socializar e participar de eventos e convenções”, pontua.
Para os integrantes, o Fandom funciona como um espaço seguro de autoexpressão, onde a criação de “fursonas” (personagens personalizados) permite a exploração da criatividade sem as amarras das normas convencionais.
O impacto na saúde emocional
Embora sejam movimentos distintos, PuppyPlay, Therian e Furry cruzam-se no interesse simbólico pelo universo animal e, infelizmente, no preconceito que enfrentam. Neker acredita que a ridicularização externa impacta diretamente a saúde mental dos participantes, podendo gerar isolamento e ansiedade.
“Acredito que quando essas vivências são constantemente retratadas de forma caricata ou ridicularizada, pode gerar vergonha, medo de exposição e necessidade de esconder partes importantes da própria vida”, afirma.
Ele cita inclusive a existência de suporte especializado, como o trabalho do psicólogo Matt Mutt, que atende membros da comunidade de forma acolhedora e adaptada à realidade desse público.
Assista o vídeo:
Empatia e respeito
Para que o diálogo sobre esses temas evolua, o influenciador defende que a mídia e o público abandonem o sensacionalismo em favor da escuta ativa. Segundo ele, é fundamental compreender que por trás de cada máscara ou personagem existem seres humanos em busca de felicidade e conexão.
“Acho que tratar desses temas com respeito significa ouvir quem realmente vive essas realidades, usar informações corretas, evitar linguagem pejorativa e compreender que o que viraliza na internet quase nunca representa a maioria”, conclui Neker.
Quem é Rick Neker?
Henrique Silveira Baloneker, o Rick Neker, é um influenciador e criador de conteúdo adulto, tem 33 anos de idade, e, é natural de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro. Conhecido também pela persona pet Pup Kokoto, ele utiliza suas redes sociais, para desmistificar conceitos do universo BDSM e Dogplay. Seu trabalho é focado em acolher iniciantes e educar o público sobre as distinções entre as diferentes identidades e práticas do movimento.

O influenciador Rick Neker || Reprodução: Arquivo Pessoa – Material cedido ao BacciNotícias
