Uma pesquisa conduzida por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz analisou cerca de 3 milhões de casos de dengue registrados no Brasil entre 2007 e 2018 e identificou quais grupos populacionais apresentam maior risco de morte pela doença.

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Quem corre mais risco de morte com a dengue? Uma pesquisa conduzida por cientistas da Fundação Oswaldo Cruz analisou cerca de 3 milhões de casos de dengue registrados no Brasil entre 2007 e 2018 e identificou quais grupos populacionais apresentam maior risco de morte pela doença. O levantamento foi publicado na revista científica Plos Neglected Tropical Medicine e reforça a relação direta entre vulnerabilidade social e desfechos mais graves da infecção.

Vulnerabilidade social aumenta letalidade

De acordo com os dados analisados, a chance de morte por dengue é significativamente maior entre homens, pessoas negras, moradores da região Nordeste e indivíduos com baixa ou nenhuma escolaridade. O estudo também aponta maior risco entre idosos com 60 anos ou mais, aposentados ou pensionistas e pessoas que vivem em moradias com infraestrutura precária.

Segundo a Fiocruz, no comparativo com pessoas brancas, pessoas negras apresentam aproximadamente o dobro de risco de morrer nos primeiros 15 dias após o início dos sintomas da dengue. A análise considera fatores sociais, demográficos e estruturais, além das condições de acesso aos serviços de saúde.

Impacto das condições de moradia e acesso à saúde

A pesquisa destaca que famílias em situação de pobreza, vivendo em locais com saneamento inadequado e menor acesso a atendimento médico, estão mais expostas a complicações da doença. Essas condições dificultam o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, o que pode contribuir para a evolução grave dos casos.

Os pesquisadores ressaltam que a dengue não afeta apenas de forma biológica, mas também reflete desigualdades históricas que influenciam diretamente a mortalidade.

Mortes por dengue podem estar subnotificadas

Outro ponto levantado pelo estudo é a dificuldade de identificar corretamente a dengue como causa de morte. Ao analisar declarações de óbito de pessoas em situação de vulnerabilidade, os pesquisadores encontraram registros com causas mal definidas ou com outras doenças listadas como causa principal.

Para a pesquisadora Luciana Cardim, que coordenou o estudo, muitas mortes podem estar sendo subestimadas. Segundo ela, embora outras condições de saúde apareçam nos registros, a infecção por dengue pode ter agravado o quadro clínico e levado ao óbito.

Alerta para políticas públicas

Os autores defendem que os resultados devem servir de base para políticas públicas mais direcionadas, com foco nos grupos mais vulneráveis e na melhoria das condições de moradia, acesso à informação e atendimento de saúde, especialmente em regiões mais afetadas.

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