Exames como análise balística, teste de resíduos de disparo e reconstrução 3D da cena do crime podem ajudar a esclarecer a dinâmica da morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava  com o marido, Tenente Coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

Perícia analisa vestígios e utiliza tecnologia para reconstruir a dinâmica da morte da PM Gisele Alves Santana. Foto: Divulgação.
Perícia analisa vestígios e utiliza tecnologia para reconstruir a dinâmica da morte da PM Gisele Alves Santana. Foto: Divulgação.

Exames como análise balística, teste de resíduos de disparo e reconstrução 3D da cena do crime podem ajudar a esclarecer a dinâmica da morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava  com o marido, Tenente Coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro.

Inicialmente, o caso chegou a ser registrado como suicídio. No entanto, novos elementos identificados durante as análises periciais levantaram dúvidas sobre essa versão e levaram a Polícia Civil a aprofundar as investigações.

Segundo a médica especialista em medicina legal e perícia médica Caroline Daitx, a perícia utiliza diferentes métodos científicos para reconstruir o que aconteceu no momento do disparo.

“O exame do corpo é apenas uma parte da investigação. A análise da cena, da arma e de vestígios encontrados no local ajuda a montar um quadro mais completo da dinâmica do ocorrido”, explica.

Teste de resíduos de disparo

Entre os exames realizados está o teste de resíduos de disparo, também chamado de exame residuográfico.

“Quando alguém dispara uma arma, partículas de chumbo, bário e antimônio podem se depositar nas mãos da pessoa. A perícia coleta amostras das mãos da vítima e de possíveis suspeitos”, relata a especialista.

No caso da policial, o exame não identificou resíduos nas mãos da vítima. Especialistas ressaltam que a ausência dessas partículas não descarta totalmente um disparo, já que os resíduos podem ser removidos ou nem sempre ficam presentes após o tiro.

Análise de sangue e vestígios na cena

Outro elemento importante para os investigadores é a análise do padrão de manchas de sangue, que pode revelar detalhes sobre a posição da vítima e possíveis movimentações durante o crime.

De acordo com Caroline Daitx, o formato e a distribuição dessas manchas funcionam como pistas importantes na reconstrução da sequência de acontecimentos.

“Esses padrões funcionam como uma assinatura do evento. Eles podem indicar onde a vítima estava posicionada e se houve movimentação antes ou depois do disparo”, conta.

Durante a perícia no apartamento, investigadores também identificaram vestígios de sangue no banheiro com o uso de luminol, o que passou a fazer parte do conjunto de evidências analisadas pela investigação.

Tecnologia permite reconstrução digital da cena

Em casos mais complexos, peritos também podem utilizar softwares que permitem fazer reconstruções tridimensionais da cena do crime.

Essas simulações integram dados como a trajetória do projétil, a posição do corpo e a localização das evidências encontradas no local.

A investigação também inclui exames balísticos, que analisam a arma utilizada e o projétil para confirmar se o disparo partiu de uma arma específica.

Prazo para conclusão do laudo

Segundo a especialista, o tempo necessário para a conclusão de um laudo pericial depende da complexidade do caso.

“Um laudo inicial pode ser concluído em poucos dias, mas quando há necessidade de exames complementares, como análises balísticas, toxicológicas ou de DNA, o resultado conclusivo pode levar semanas ou até meses”, afirma.

Enquanto os exames continuam, investigadores seguem reunindo depoimentos e evidências para esclarecer completamente a dinâmica da morte da policial.

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