Em entrevista exclusiva, Renan Santos critica STF, Bolsonaro e Lula, comenta polarização, defende endurecimento penal e apresenta propostas de governo com foco em segurança, economia e gestão pública.
Em entrevista nesta quinta-feira (9), o pré-candidato à Presidência da República pelo Missão, Renan Santos, falou com exclusividade ao Bacci Notícias sobre os principais temas do cenário político brasileiro. Ao longo da conversa, ele abordou desde disputas internas na direita até críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de apresentar propostas de governo e comentar polêmicas recentes.

Briga na direita e desgaste do bolsonarismo
Renan avaliou a troca de críticas entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira como consequência de um modelo político que, segundo ele, cresceu sem organização interna. Para o pré-candidato, o bolsonarismo priorizou figuras populares, sem um processo de formação política consistente, o que levou a disputas por protagonismo.
“É como se fosse um Big Brother, um grupamento de influenciadores onde um quer mais atenção do que o outro.”
Ele também destacou que há um embate entre novas lideranças e a família Bolsonaro, com parte desses nomes buscando independência política após ganharem projeção: “Eles já usaram a parte que interessava da família e agora querem ter luz própria”, disse.
Apesar das críticas, reconheceu que o bolsonarismo teve papel relevante ao representar o eleitor antipetista, mas avaliou que o movimento passa por desgaste.
Avaliação da família Bolsonaro
Ao analisar a importância da família Bolsonaro, Renan destacou que o grupo foi central na reorganização da direita brasileira nos últimos anos, especialmente ao dar identidade a um eleitorado que antes se posicionava apenas de forma contrária ao PT. “Por um tempo importante, representou uma identidade antipetista”, disse ele.
No entanto, ele afirmou que essa identificação ocorreu de forma rápida e sem uma avaliação mais profunda das lideranças, o que contribui, segundo ele, para o atual momento de fragmentação.
Prisão de Bolsonaro e críticas ao processo
Renan afirmou que existem elementos que indicam irregularidades por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente no contexto das eleições e dos atos posteriores.
“As provas são muito contundentes.”
No entanto, criticou a condução dos processos judiciais, apontando falhas formais que podem gerar nulidades: “Você tem muitas nulidades processuais nessa história., disse. Diante disso, defendeu que Bolsonaro cumpra prisão domiciliar, levando em conta sua idade e condição de saúde: “Ele está velho, está doente. Deixa ele ficar em prisão domiciliar”, disparou.
Também mencionou que, na sua avaliação, há desproporção nas penas aplicadas a envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
STF e críticas a Alexandre de Moraes
Ao falar sobre o Supremo Tribunal Federal, Renan fez críticas diretas ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo ele, o magistrado assumiu um papel central no enfrentamento ao bolsonarismo, mas acabou concentrando poder. “A gente tirou um problema e colocou outro, que são os superpoderes do STF”, disse.
O pré-candidato afirmou que Moraes se colocou como defensor do sistema político em um momento de crise, mas que houve exagero na atuação.
“Ele se tornou uma espécie de reizinho por um período”, disparou Renan.
Propostas de governo
Renan destacou três eixos principais de sua pré-candidatura: combate ao crime organizado, reforma fiscal e reforma administrativa.
Na área de segurança pública, defende mudanças profundas nas leis penais, incluindo a adoção do conceito de “direito penal do inimigo”.
Na economia, afirmou que pretende implementar uma reforma fiscal rigorosa para evitar o agravamento das contas públicas. Já na administração pública, propõe mudanças como fusão de municípios e critérios mais rígidos de avaliação de gestores.
Combate ao crime organizado e ameaças
O pré-candidato também comentou ameaças que disse ter recebido de facções criminosas e defendeu o endurecimento da legislação. “Se você pertence a uma facção, você não tem presunção de inocência, você tem presunção de culpa.”
Ele afirmou que integrantes de organizações criminosas não deveriam ter o mesmo tratamento jurídico que cidadãos comuns: “Se é líder de facção, tem que ficar preso o resto da vida”, disse.
Polêmica com artistas e shows
Ao comentar declarações envolvendo o cantor Wesley Safadão, Renan afirmou que eventos financiados por prefeituras podem estar sendo utilizados com finalidade política. “As emendas brasileiras são utilizadas pra compra de votos e artistas entram nesse esquema”, comentou Renan.
Ele defendeu investigações mais rigorosas sobre esse tipo de prática.
Proposta para o Rio de Janeiro
Renan também abordou sua proposta para o Rio de Janeiro, negando que defenda a separação do estado. “Não é separar o Rio. Eu quero dar uma autonomia”, disse.
Segundo ele, a ideia é permitir que a cidade tenha maior controle sobre suas políticas, especialmente nas áreas de segurança, turismo e desenvolvimento econômico.
Polarização política
Ao falar sobre a polarização no Brasil, Renan afirmou que pretende enfrentá-la com foco em propostas concretas.
“Quando você fala de soluções, as pessoas param de discutir Lula ou Bolsonaro.”
Segundo ele, temas práticos tendem a reduzir a disputa ideológica.
Críticas à direita e à esquerda
Renan fez críticas aos dois principais campos políticos do país. Em relação à direita, afirmou que falta conteúdo e propostas concretas. “A direita só fala de Deus, família e PT, mas não apresenta soluções…”, disse.
Já sobre a esquerda, disse que há maior produção intelectual, mas criticou as ideias defendidas: “As ideias estão esgotadas e baseadas em ressentimento”, comentou.
Relação com a esquerda
Apesar das críticas, o pré-candidato afirmou que pretende manter diálogo institucional com todos os setores políticos: “Tenho obrigação de conversar com todos”.
Ele destacou que pode apoiar propostas quando houver convergência.
Avaliação do governo Lula
Ao avaliar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Renan afirmou ter dificuldade em apontar aspectos positivos.
“Não estou conseguindo encontrar coisas positivas.”, disse sobre o governo do PT.
Ele mencionou como possível ponto de convergência medidas pontuais, como restrições ao uso de celulares em sala de aula, mas criticou a condução econômica e fiscal.
Proposta sobre obesidade e saúde
Renan também comentou polêmica envolvendo declarações sobre obesidade. Ele negou qualquer proposta de proibição e afirmou que defende políticas públicas voltadas à saúde. “Nós precisamos tornar os brasileiros mais saudáveis.”
Segundo ele, o aumento de doenças relacionadas à obesidade impacta o sistema público de saúde: “Isso entope o SUS e aumenta a necessidade de tratamentos”.
Eleições e adversários
O pré-candidato afirmou que seu principal desafio é ampliar o conhecimento do eleitorado sobre seu nome. “Meu adversário é o desconhecimento”, afirmou.
Ele destacou que tem bom desempenho entre jovens, mas ainda precisa crescer nacionalmente.
Ao final, Renan afirmou que pretende se apresentar como alternativa fora da polarização tradicional. “Não acredite em político que fala só o que você quer ouvir”.
Ele defendeu que o eleitor busque propostas concretas e discursos mais realistas.
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