Familiares de Maykelly Araujo Poitis contestam a versão inicial sobre a morte da manicure durante perseguição policial na fronteira entre Brasil e Paraguai. Segundo a família, ela foi baleada durante a ação e não morreu afogada após o carro cair em uma piscina. A certidão de óbito aponta perfuração cardíaca por arma de fogo. O caso segue sob investigação.

Revelada causa da morte de mulher baleada durante perseguição policial na fronteira

Familiares de Maykelly Araujo Poitis, de 30 anos, contestam a versão inicialmente divulgada sobre a morte da mulher após uma perseguição policial que terminou com um carro capotado dentro de uma piscina, na fronteira entre Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, e Pedro Juan Caballero, no Paraguai.

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Mulher baleada em MS. Certidão de óbito

Segundo relato da família ao portal TopMídiaNews, Maykelly não morreu afogada nem apenas em decorrência do acidente, mas foi atingida por disparos de arma de fogo durante a ação policial.

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Certidão de óbito aponta perfuração por tiro

A principal contestação dos parentes é baseada na certidão de óbito emitida pelo Hospital Regional de Ponta Porã. O documento aponta como causas da morte “choque hemorrágico hipovolêmico, perfuração cardíaca por projétil de arma de fogo, lesão perfurocontusa dorsal e ação perfurocontundente”.

Em entrevista, um familiar afirmou que a família decidiu procurar a imprensa após ver reportagens apontando afogamento como causa da morte.

“Precisamos falar a verdade. Passou até na televisão e tem matérias falando que ela morreu afogada, e isso é mentira. Temos o laudo, temos provas e queremos justiça”, declarou.

Áudio revela desespero durante perseguição

Antes de morrer, Maykelly enviou um áudio para a mãe pedindo ajuda enquanto a perseguição acontecia.

“Mãe, a polícia me pegou, liga para pedir o advogado. A polícia tá correndo atrás de nós, tá dando tiro em nós”, disse a manicure na gravação divulgada nas redes sociais.

Segundo os familiares, os áudios mostram que Maykelly estava desesperada e pedia para o motorista encerrar a fuga.

“No áudio, ela fala várias vezes para ele parar porque a polícia estava atirando. Ela estava assustada com o que estava acontecendo”, afirmou uma familiar.

Carro caiu em piscina durante fuga

O caso aconteceu na última sexta-feira (15). Conforme informações divulgadas pelas autoridades, o motorista de um Peugeot Passion 207 desobedeceu ordens de parada em postos de fiscalização da Polícia Militar Rodoviária na região de Ponta Porã e iniciou fuga em alta velocidade.

A perseguição seguiu até o território paraguaio, em Pedro Juan Caballero. Durante a tentativa de escapar, o condutor perdeu o controle da direção, invadiu uma propriedade rural e o veículo capotou dentro de uma piscina.

Maykelly estava no banco do passageiro. Ela chegou a ser socorrida com ferimentos graves e encaminhada ao Hospital Regional da Fronteira, mas não resistiu.

Motorista admitiu transporte de drogas

O motorista, identificado como Vinícius Thiago Basílio da Silva, de 33 anos, foi preso. Em depoimento à Polícia Civil, ele admitiu que transportava cerca de 10 quilos de skunk, droga derivada da maconha, e afirmou que receberia dinheiro para levar o entorpecente até Campo Grande.

Segundo Vinícius, Maykelly não sabia da existência da droga no veículo.

Ainda conforme o depoimento, a manicure teria pedido para que ele parasse o carro durante a perseguição.

“Tiago, para o carro”, teria dito a vítima momentos antes do acidente.

Família nega envolvimento de Maykelly com drogas

Os parentes afirmam que Maykelly conhecia Vinícius apenas como amigo e dizem que a família sequer tinha contato com ele antes do ocorrido.

“Ninguém conhece esse Thiago. Ela foi apenas buscar mercadorias para a loja dela”, afirmou uma familiar.

Segundo o relato, Maykelly havia saído de Campo Grande para comprar cobertas e casacos para abastecer a loja de roupas que mantinha na região do Aeroporto. Além do comércio, ela também trabalhava vendendo cachorro-quente e caldo durante a noite para complementar a renda.

“Ela era extremamente trabalhadora. Ajudava a família inteira, cuidava dos irmãos como filhos. Era uma menina alegre, querida por todo mundo”, relatou a familiar.

Maykelly deixou uma filha de 13 anos.

Família cobra investigação sobre disparos

Os parentes também criticam a atuação policial durante a perseguição e pedem investigação detalhada sobre os tiros efetuados contra o veículo.

“Queremos justiça. Ela morreu baleada. O certo era atirar no pneu e não nela”, afirmou a familiar.

A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência em Campo Grande para solicitar a apuração completa do caso.

Até o momento, autoridades brasileiras e paraguaias investigam conjuntamente as circunstâncias da perseguição, a origem da droga encontrada no veículo e a dinâmica da morte de Maykelly.

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