A possibilidade de Lula insistir na indicação de Jorge Messias ao STF após a rejeição inédita do Senado divide aliados do presidente. Parte do PT defende enfrentar Davi Alcolumbre para reafirmar a autoridade do Planalto, enquanto integrantes mais pragmáticos temem nova derrota política e preferem adiar a discussão. Informações são da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insistir na indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) abriu uma divisão entre aliados do próprio governo.

Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, uma ala mais combativa do PT avalia que o Palácio do Planalto não deve se curvar à pressão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), responsável pela articulação que levou à rejeição do nome de Messias.
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Já o grupo mais pragmático defende que Lula evite um novo confronto político neste momento e deixe uma eventual nova indicação para outro cenário mais favorável.
Regimento do Senado pode barrar nova indicação
Pelas regras internas do Senado, um nome já rejeitado para o STF não pode ser analisado novamente dentro da mesma sessão legislativa, ou seja, no mesmo ano.
Isso significa que, mesmo que Lula reapresente Jorge Messias, Davi Alcolumbre poderá utilizar o regimento para rejeitar sumariamente a indicação.
Apesar disso, parte do lulismo considera importante insistir no nome como forma de demonstrar que o presidente da República não abrirá mão da prerrogativa de indicar livremente ministros para a Suprema Corte.
Ala governista quer transformar derrota em discurso político
Entre os defensores de uma nova tentativa estão o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) e o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio de Carvalho.
A estratégia seria reforçar o discurso de que o Congresso estaria dificultando ações do Executivo.
“Messias ganhou o debate político na sociedade para vaga no Supremo. Os aplausos que ele recebeu na posse do TSE demonstraram isso”, afirmou Paulo Teixeira, segundo a publicação.
Grupo pragmático prefere evitar novo embate
Por outro lado, lideranças governistas no Senado, como Jaques Wagner (PT-BA) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), trabalham por uma pacificação entre Lula e Alcolumbre.

Jorge Messias foi rejeitado (Foto: Lula Marques / Agência Brasil)
Segundo relatos obtidos pela coluna, essa também seria a posição dos ministros Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social, e Luiz Marinho, do Trabalho, além do ex-ministro José Dirceu.
Nos bastidores, interlocutores afirmam que Sidônio defende que Lula indique uma mulher negra ao STF, avaliando que a decisão poderia trazer ganhos políticos ao presidente mesmo diante de eventual rejeição.
Rejeição de Messias foi derrota histórica para Lula
A rejeição de Jorge Messias foi considerada uma das maiores derrotas políticas de Lula no Congresso neste terceiro mandato.
De acordo com a reportagem, a articulação liderada por Davi Alcolumbre reuniu diferentes setores políticos, incluindo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ministro Alexandre de Moraes, ainda que por razões distintas.
Segundo a publicação, Flávio buscava medir forças políticas com o governo Lula no Senado, enquanto Moraes teria atuado para impedir o fortalecimento de um grupo mais próximo do ministro André Mendonça dentro do STF.
Até então, a última vez que o Senado havia barrado uma indicação presidencial para o Supremo ocorreu em 1894, durante o governo Floriano Peixoto.
Aliados de Alcolumbre falam em nova “humilhação” ao governo
Nos bastidores, interlocutores ligados a Davi Alcolumbre afirmam que uma nova insistência de Lula poderia provocar outro desgaste ao Palácio do Planalto.
“São os batedores de lata versus os sensatos. Se Lula fizer uma nova indicação de Messias, Davi mostrará o que é fúria”, afirmou um aliado do presidente do Senado ouvido pela coluna.
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