Servidor público baiano foi condenado por fraude após simular um assalto e amputar o próprio pé. O objetivo seria receber cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações de seguros contratados pouco antes do episódio. A Justiça manteve a condenação após considerar robustas as provas reunidas durante a investigação.

Tribunal de Justiça da Bahia
Tribunal de Justiça da Bahia

Uma tentativa de obter uma indenização milionária terminou em condenação judicial na Bahia. O servidor público Vanderley dos Santos teve mantida pela Justiça a pena por fraude após ser apontado como responsável por arquitetar um plano que envolveu a amputação do próprio pé para acionar apólices de seguro de vida e acidentes pessoais.

Segundo os autos do processo, o homem contratou quatro seguros diferentes em um curto intervalo de tempo, todos com cobertura para situações de invalidez permanente. As apólices, somadas, poderiam resultar no pagamento de aproximadamente R$ 1,5 milhão em indenizações.

Pouco tempo depois das contratações, Vanderley procurou as autoridades relatando ter sido vítima de um assalto em uma área rural do interior baiano. Na versão apresentada inicialmente, criminosos teriam roubado seus pertences e amputado seu pé direito durante a ação.

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O caso, entretanto, começou a despertar suspeitas quase imediatamente. O volume das apólices contratadas, a rapidez com que os pedidos de indenização foram apresentados e as circunstâncias incomuns do suposto crime levaram seguradoras e investigadores a aprofundarem a apuração.

Servidor cortou o próprio pé

As dúvidas aumentaram após a análise dos laudos periciais. Especialistas concluíram que a lesão não apresentava características compatíveis com um ataque violento praticado de forma improvisada durante um assalto. Os exames apontaram sinais de um procedimento realizado com técnica incompatível com a narrativa apresentada pela suposta vítima.

Ao longo da investigação, documentos, relatórios médicos, perícias e depoimentos reforçaram a tese de que a história havia sido criada para justificar o recebimento das indenizações. Para a Justiça, a sequência dos acontecimentos — contratação dos seguros, mutilação e pedido de pagamento — evidenciou uma ação planejada com o objetivo de obter vantagem financeira indevida.

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Após recorrer da sentença, o servidor teve a condenação confirmada pelo Tribunal de Justiça da Bahia. Os desembargadores entenderam que o conjunto de provas produzido durante o processo era suficiente para comprovar a fraude. Desde maio deste ano, Vanderley passou a cumprir a pena de dois anos de prisão determinada pela Justiça.

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