Depoimentos de policiais indicam que a soldado Gisele Alves Santana foi agredida pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, dentro do quartel da PM antes de ser morta. O oficial está preso e é acusado de feminicídio. Testemunhas relatam comportamento agressivo e ciumento, enquanto a defesa nega as acusações.

Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução/Instagram
Gisele Alves Santana. Foto: Reprodução/Instagram

A investigação sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, ganhou novos elementos após depoimentos de policiais militares que apontam episódios de agressão dentro do próprio quartel-general da Polícia Militar de São Paulo. A vítima foi morta com um tiro na cabeça em fevereiro, e o principal suspeito é o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 56 anos, que está preso.

Agressões dentro do quartel

De acordo com relatos colhidos pela Polícia Civil, ao menos quatro policiais que trabalhavam com Gisele disseram ter conhecimento de discussões graves e até agressões físicas envolvendo o casal dentro da sede do Comando-Geral. A defesa de Neto afirma desconhecer os episódios.

Os depoimentos indicam que uma das agressões ocorreu em um corredor que liga o setor administrativo à reserva de armas do quartel. Em versões semelhantes, testemunhas afirmam que o oficial segurou a soldado pelos braços e a pressionou contra a parede. Outro relato menciona que ele teria levado a mão ao pescoço dela. Segundo os policiais, a cena teria sido registrada por câmeras de segurança.

Depoimentos apontam violência e intimidação

Além disso, uma colega afirmou ter presenciado o tenente-coronel encurralando Gisele em um dos espaços do departamento. Outros dois policiais disseram ter ouvido comentários sobre agressões, embora não tenham presenciado diretamente os fatos.

O ex-marido da vítima também corroborou os relatos. Em depoimento, ele afirmou que Gisele contou que foi “chacoalhada” pelo oficial durante uma discussão no ambiente de trabalho, sendo contido por outros policiais.

Comportamento obsessivo e crises de ciúmes

O comportamento do oficial também chamou atenção dos colegas. Diversos depoimentos descrevem atitudes obsessivas e crises de ciúmes. Em um episódio, durante um café entre policiais, Neto se irritou ao saber que alguém havia elogiado a aparência da esposa.

Ele passou a questionar insistentemente quem teria feito o comentário e chegou a seguir uma sargento, sendo contido por outros presentes. Segundo os relatos, o tenente-coronel costumava aparecer sem aviso no local de trabalho da soldado e ouvir conversas antes de ser notado, valendo-se da sua patente superior.

Comando da PM teria sido informado

Há ainda a indicação de que o comando da corporação teria tido conhecimento de pelo menos um episódio de discussão agressiva. Uma policial afirmou que o então comandante-geral conversou com Gisele e teria proibido Neto de frequentar o quartel.

Mesmo assim, ele continuou indo ao prédio, embora tenha deixado de entrar diretamente no setor da soldado.

Histórico sem registros formais

No período em que os fatos teriam ocorrido, o comando da PM foi exercido pelos coronéis Ronaldo Miguel Vieira e Cássio Araújo de Freitas. Vieira disse não se lembrar de convivência com o casal. Já Cássio afirmou que não recebeu denúncias e que, se tivesse conhecimento, teria determinado a abertura de investigação.

Em nota, a Polícia Militar informou que todas as denúncias de assédio envolvendo o oficial foram apuradas pela Corregedoria e que há procedimento em andamento.

Morte tratada como suspeita

Gisele foi encontrada morta no apartamento onde morava, no bairro do Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. Na ocasião, Neto afirmou que a esposa havia cometido suicídio.

No entanto, inconsistências no relato, indícios de alteração da cena e o comportamento do oficial levaram a investigação a tratar o caso como morte suspeita.

Defesa questiona prisão e investigação

Após a prisão, a defesa do tenente-coronel questionou a legalidade da decisão da Justiça Militar, alegando falta de competência para julgar crimes comuns como feminicídio. Os advogados também criticaram a divulgação de informações pessoais do acusado, apontando exposição indevida.

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