O presidente Donald Trump voltou a defender que os Estados Unidos assumam o controle da Groenlândia, alegando razões estratégicas e de segurança nacional. A Casa Branca confirmou que o governo estuda alternativas diplomáticas e econômicas, sem descartar, em último caso, o uso das Forças Armadas.

Presidente Donald Trump já declarou que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia. Foto: Reprodução.
Presidente Donald Trump já declarou que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da Groenlândia. Foto: Reprodução.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recolocou a Groenlândia no centro do debate geopolítico internacional ao afirmar, nesta terça-feira (6), que a aquisição do território é uma prioridade estratégica para Washington.

Segundo a Casa Branca, o republicano e seus principais assessores discutem diferentes caminhos para ampliar o controle norte-americano sobre a ilha, incluindo opções diplomáticas, econômicas e até militares.

De acordo com o governo, a Groenlândia é vista como peça-chave na crescente disputa pelo Ártico, região que ganha importância com o avanço do derretimento das calotas polares e a abertura de novas rotas marítimas. Questionado por uma agência de notícias britânica, a Casa Branca confirmou que nenhuma alternativa está totalmente descartada.

O tema voltou aos holofotes no último sábado (3), quando Katie Miller, esposa de um alto assessor da Casa Branca, publicou nas redes sociais uma imagem da Groenlândia coberta pela bandeira dos Estados Unidos, gesto interpretado como provocação política.

Publicação de Katie Miller, assessora de Trump, causou desconforto – Foto: Reprodução/X

Por que a Groenlândia é estratégica

O interesse de Trump pela ilha não é novo. Ainda em seu primeiro mandato, ele já havia defendido publicamente a ideia de anexação. Agora, de volta à Casa Branca, o presidente argumenta que controlar o território é essencial para conter a influência de potências rivais no Ártico.

A Groenlândia abriga uma base militar norte-americana voltada à defesa antimísseis, considerada fundamental para o monitoramento do hemisfério norte. Além disso, estudos apontam que a ilha possui grandes reservas de minerais de terras raras, insumos estratégicos para tecnologias como baterias, celulares e veículos elétricos, setor hoje dominado pela China. Há também potencial para exploração de petróleo e gás.

Entraves legais e reação internacional

Apesar de Trump afirmar que existe “uma boa chance” de os EUA obterem a Groenlândia sem recorrer à força, especialistas alertam para os enormes obstáculos legais e políticos. Uma intervenção militar violaria princípios centrais da Otan, já que a Dinamarca, responsável pela defesa e política externa da Groenlândia, também é membro da aliança.

A ilha conquistou autonomia em 1979 e, desde 2009, tem o direito de realizar referendos sobre independência. No entanto, Copenhague ainda mantém forte influência econômica e política sobre o território. Autoridades europeias já reagiram reafirmando a soberania dinamarquesa e classificando qualquer ameaça de anexação como inaceitável.

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