Donald Trump afirmou que não descarta enviar tropas dos Estados Unidos para a Venezuela, dizendo que “nada está descartado” ao comentar possíveis ações militares contra o governo de Nicolás Maduro, a quem acusa de liderar o Cartel de los Soles. O presidente também sinalizou que poderia autorizar bombardeios no México e destruir fábricas de cocaína na Colômbia. As declarações ocorrem em meio à crescente presença militar dos EUA no Caribe, marcada pela chegada do porta-aviões USS Gerald R. Ford e por operações recentes contra organizações narcoterroristas. Washington oferece recompensa de US$ 50 milhões pela prisão de Maduro, que, segundo reportagem da The Atlantic, estaria disposto a negociar sua saída do poder sob condições.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (17) que não descarta enviar tropas americanas para a Venezuela. A declaração foi dada durante conversa com jornalistas na Casa Branca, após ser questionado sobre o rumo da política americana em relação ao país vizinho.
“O que posso descartar? Nada está descartado”, disse Trump. “Temos que dar um jeito na questão da Venezuela. Eles despejaram centenas de milhares de pessoas em nosso país, das prisões”, afirmou, repetindo acusações já usadas durante sua campanha presidencial de 2024, e para as quais não apresentou provas.
Segundo o republicano, ele “provavelmente” conversará em algum momento com o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, mas reforçou que considera urgente “resolver a situação” do país. Trump também voltou a classificar Maduro como líder de um suposto grupo de narcotraficantes chamado Cartel de los Soles, que seu governo equiparou a organizações terroristas meses atrás.
Trump também fala sobre ataques ao México e à Colômbia
Durante a coletiva, o presidente foi questionado se poderia ordenar bombardeios ao México para interromper o tráfico de drogas rumo aos EUA. Ele respondeu: “Tudo bem por mim”.
Em seguida, afirmou que “destruiria com orgulho” fábricas de cocaína na Colômbia, embora tenha ponderado: “Não estou dizendo que farei isso”.
Escalada militar no Caribe
As declarações acontecem em meio ao aumento da presença militar americana na América Latina. Na semana passada, a Marinha dos EUA anunciou a chegada do maior porta-aviões do mundo, o USS Gerald R. Ford, à região. A embarcação dará apoio a operações contra organizações criminosas transnacionais.
O grupo de ataque do porta-aviões se soma a uma presença já robusta no Caribe, que inclui navios de guerra, jatos de combate, helicópteros de operações especiais e bombardeiros. Nos últimos dois meses, forças americanas atacaram mais de 20 embarcações no Caribe e no Pacífico, deixando mais de 70 mortos. Segundo o comando militar, os alvos seriam organizações narcoterroristas.
Essa ofensiva começou dias depois de os EUA dobrarem para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à prisão ou condenação de Nicolás Maduro. Washington acusa o líder chavista de comandar o Cartel de los Soles, considerado organização terrorista internacional, o que, segundo autoridades americanas, pode transformar Maduro em “alvo legítimo” em ações contra cartéis.
Possível negociação de saída
A revista The Atlantic informou recentemente que Maduro estaria disposto a negociar sua saída do poder, desde que receba anistia e garantias de segurança para viver no exílio. Não há confirmação oficial do governo venezuelano.
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