O Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, deve ser o destino provável do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já tem maioria no Superior Tribunal Federal para ser condenado. O local é conhecido por ter abrigado políticos famosos, como José Dirceu e José Genoino.

Veja cadeia onde Bolsonaro deve ser levado, o Presidio da Papuda

O Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, deve ser o destino provável do ex-presidente Jair Bolsonaro, que já tem maioria no Superior Tribunal Federal para ser condenado (STF). O local é conhecido por ter abrigado políticos famosos, como José Dirceu e José Genoino.

DE fazenda histórica a presídio

Muito antes de se tornar o maior presídio da capital, o local era uma fazenda de criação de gado de leite, com 7 mil alqueires de extensão, que se estendia por solo goiano. A área era avaliada em 700 mil réis em 1869 e foi dividida entre os herdeiros José Campos Meireles e Josué da Costa Meireles.

O local ganhou o nome de “Papuda” devido a uma mulher que vivia na fazenda e possuía bócio, uma doença que forma uma espécie de “papo” no pescoço e que foi erradicada no Brasil a partir da obrigatoriedade da adição de iodo no sal.

O complexo foi inaugurado em 16 de janeiro de 1979 com apenas 10 guardas e capacidade para 240 presos. Hoje, a área de segurança máxima, que fica às margens da rodovia que liga Brasília a Unaí (MG), é composta por quatro unidades e tem capacidade para cerca de 5.300 detentos, mas enfrenta superlotação, abrigando uma população carcerária de 12 mil pessoas:

  • Centro de Detenção Provisória (CDP), destinado a presos provisórios;
  • Centro de Internamento e Reeducação (CIR), que aloca presos de regime semiaberto;
  • Penitenciárias I e II do Distrito Federal, destinadas a presos de regime fechado.

As unidades contam com sistemas de segurança de alta tecnologia, como scanners corporais, scanners de objetos, portais e bancos detectores de metais. A Penitenciária I, em especial, possui sistemas de segurança instalados em pontos estratégicos.

Rebeliões e massacres

A história do Complexo Penitenciário da Papuda é marcada por incidentes de violência.

Em 17 de agosto de 2000, uma rebelião de presos no Núcleo de Custódia resultou em 11 mortos. O estopim foi o assassinato do traficante Ananias Eliziário da Silva, líder do tráfico na Colônia Penal Agrícola 5 (CPA 5), que foi morto por detentos de outra ala. O massacre foi executado por cerca de 200 detentos que, com armas artesanais e colchões incendiados, mataram nove presos por asfixia e dois por queimaduras. O número de detentos do Núcleo de Custódia superava em 42% a capacidade do prédio na época.

Em 18 de outubro de 2001, uma nova rebelião de 400 presos resultou em dois detentos mortos e 11 feridos, sendo oito presos e três policiais. O motim durou 28 horas, e os amotinados tomaram três agentes penitenciários como reféns, exigindo a transferência de 17 detentos, melhores condições carcerárias e a revisão de sua situação jurídica.

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