Novo vídeo das câmeras corporais dos policiais mostra o momento em que agentes libertam uma mulher feita refém por 26 criminosos na Vila Cruzeiro. A vítima foi obrigada a filmar a rendição do grupo antes da chegada da PM. A Operação Contenção já é considerada a mais letal da história do Rio, com mais de 120 mortos.
Um novo vídeo registrado pelas câmeras dos policiais mostra o momento em que os agentes rendem 26 criminosos que faziam uma mulher de refém em uma casa na Vila Cruzeiro, na Zona Norte do Rio de Janeiro, durante a megaoperação desta terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha.
Segundo a Polícia Militar, os bandidos obrigaram a vítima a filmar a própria rendição do grupo, na tentativa de evitar que fossem mortos pelos agentes. No vídeo gravado pelos criminosos, um deles orienta a mulher a registrar a cena e afirma que todos estão “sem camisa e desarmados”, pedindo à polícia “sem esculacho”.
Já nas imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais, é possível ver o momento em que os agentes entram na casa, libertam a refém e rendem os suspeitos. O local estava com marcas de sangue nas paredes, e um dos criminosos menciona que há um “amigo morto” no chão.
Policiais do Batalhão de Choque encontraram 19 fuzis e conseguiram prender 25 suspeitos, além de libertar a mulher. Houve confronto durante a ação, e um dos criminosos morreu.
A residência funcionava como esconderijo do Comando Vermelho (CV), e a vítima foi mantida sob ameaça enquanto o grupo tentava resistir à entrada das forças de segurança. Em outro ponto da comunidade, os agentes apreenderam 200 quilos de maconha, elevando para 75 o total de fuzis retirados das mãos de criminosos apenas nesta terça-feira.
A Operação Contenção, que mobilizou cerca de 2,5 mil agentes, é considerada a mais letal da história do Rio, com mais de 120 mortos, incluindo quatro policiais, e 81 presos. Entre os detidos estão Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, e Nicolas Fernandes Soares, apontado como operador financeiro do traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca.
Após a operação, criminosos promoveram represálias em diversos pontos do Grande Rio, com barricadas em chamas e bloqueios em vias importantes, como a Linha Amarela, a Grajaú-Jacarepaguá e a Rua Dias da Cruz, no Méier.
O Centro de Operações e Resiliência (COR) elevou o estágio operacional da cidade para o nível 2, e a PM colocou todo o efetivo nas ruas. Segundo o secretário de Segurança Pública, Victor Santos, a ação foi planejada com antecedência e “vai continuar”.
