O relatório final do Cenipa concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, apresentou uma sequência de cinco alertas de segurança antes do acidente, incluindo avisos de formação de gelo, perda de desempenho, baixa velocidade e risco de estol. A investigação apontou que a tripulação não respondeu de forma adequada aos alertas, deixou de acionar o sistema de degelo e não adotou medidas de emergência. O documento também identificou falhas operacionais da companhia, como a normalização de desvios e problemas de manutenção não registrados, fatores que contribuíram para a tragédia que matou as 62 pessoas a bordo.

Voepass (Foto: reprodução)
Voepass (Foto: reprodução)

O relatório final divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) revelou que a aeronave da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024, registrou pelo menos cinco alertas de segurança instantes antes do acidente.

Voepass (Foto: reprodução)

Conforme a apuração, os sistemas da aeronave indicaram condições críticas de voo, incluindo formação de gelo, redução do desempenho, baixa velocidade e risco de estol.

Apesar dos sucessivos avisos emitidos pelos equipamentos, a investigação concluiu que as ocorrências não receberam o tratamento adequado por parte da tripulação, fator apontado como relevante para o desfecho da tragédia que deixou 62 mortos.

Cenipa divulga simulação dos momentos finais

O relatório do Cenipa também inclui uma simulação que reproduz a sequência dos acontecimentos nos instantes que antecederam a queda do voo 2283, que seguia de Cascavel (PR) para Guarulhos (SP).

Durante a investigação, foi constatado que, além dos diversos alertas emitidos pelos sistemas da aeronave, os pilotos mantiveram conversas sobre assuntos alheios à operação em fases decisivas do voo.

Foto: Reprodução.

O documento aponta ainda que o sistema de degelo não foi acionado, apesar das condições meteorológicas indicarem risco elevado de formação de gelo. Outro ponto destacado pelo relatório é que a Voepass apresentava uma chamada “cultura de normalização de desvios” em seus procedimentos operacionais.

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Relatório detalha sequência de alertas antes da queda

Segundo o relatório final da investigação, os sistemas da aeronave emitiram uma série de alertas nos minutos que antecederam a perda de controle do avião. Os registros analisados pelo Cenipa mostram que diversos avisos operacionais foram acionados em sequência, indicando que a aeronave enfrentava condições críticas antes do acidente.

  • Detector eletrônico de gelo: O relatório aponta que a aeronave recebeu repetidos alertas sobre risco de formação de gelo durante o voo. O procedimento recomendado era acionar imediatamente o sistema de degelo e ajustar a velocidade da aeronave para manter as condições seguras de operação.
  • Alerta de velocidade baixa (Cruise Speed Low): Os sistemas da aeronave indicaram que o avião operava abaixo da velocidade considerada adequada e apresentava aumento do arrasto, um cenário compatível com a formação de gelo e a consequente redução do desempenho em voo.
  • Avisos do monitoramento de performance (APM): Os sistemas da aeronave passaram a apontar perda de desempenho durante o voo. Para o Cenipa, a tripulação não conseguiu identificar com rapidez a gravidade da situação, o que comprometeu a resposta aos alertas.
  • Alerta de estol: Nos momentos que antecederam o acidente, os sistemas da aeronave emitiram um alerta de perda de sustentação. Segundo o Cenipa, a atuação da tripulação não seguiu o protocolo recomendado para esse tipo de ocorrência, conforme apontou a investigação.
  • Aviso de nível 2: O relatório informa que um dos avisos de velocidade insuficiente era enquadrado pelo fabricante como alerta de “nível 2”. Para o Cenipa, essa classificação pode ter levado a tripulação a interpretar a situação como menos crítica do que realmente era.

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Cenipa aponta combinação de falhas

Entre os pontos apontados pela investigação está o fato de os pilotos terem mantido conversas sobre assuntos pessoais durante parte do voo, o que pode ter comprometido a atenção dedicada aos avisos do sistema.

O documento também destaca que o sistema de degelo não foi acionado, a tripulação não solicitou descida imediata nem declarou situação de emergência, mesmo com o agravamento das condições de voo.

Foto: Reprodução.

A investigação ainda identificou uma “cultura de normalização de desvios” na operação da companhia aérea. Segundo o Cenipa, a repetição frequente de determinados alertas ao longo da rotina operacional teria levado os tripulantes a encará-los como situações habituais, reduzindo a percepção dos riscos envolvidos.

Relatório aponta irregularidades antes da decolagem

Além das falhas identificadas durante o voo, o relatório do Cenipa apontou irregularidades que antecederam a decolagem. Conforme a investigação, a aeronave apresentava defeito no limpador de para-brisa e, devido à previsão de chuva ao longo da rota e no destino, não deveria ter sido liberada para operar nessas condições.

O documento também revelou que o sistema de degelo já havia apresentado falhas em voos realizados no mesmo dia e na véspera do acidente. No entanto, essas ocorrências não foram registradas no diário técnico da aeronave, o que impediu que a equipe de manutenção fosse acionada para realizar os reparos necessários.

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