Durante sua sessão, Hillary se irritou com o vazamento de uma foto tirada dentro da sala de audiência e criticou duramente membros da bancada republicana, chegando a bater na mesa e ameaçar encerrar sua participação. Já Bill enfrentou perguntas detalhadas sobre imagens e documentos, negando envolvimento impróprio com Epstein e reiterando que seu relacionamento com o condenado foi limitado e terminado antes que seus crimes viessem à tona.
O Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos tornou público, nesta semana, mais de nove horas de gravações com os depoimentos de Hillary Clinton e Bill Clinton sobre a relação que mantiveram com o financista Jeffrey Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por acusações de crimes sexuais.
Os vídeos mostram sessões marcadas por embates com congressistas republicanos, perguntas incisivas e referências a teorias amplamente divulgadas, além de questionamentos baseados em imagens e documentos tornados públicos pelo Departamento de Justiça norte-americano.
Apesar de não responderem formalmente a acusações no caso, o ex-presidente dos Estados Unidos é citado em materiais da investigação, como registros de viagens aéreas e fotografias já conhecidas do público. A divulgação do conteúdo reacendeu o debate político em Washington e ampliou a cobrança para que o casal se manifeste novamente sobre o tema.
Foto vazada provoca tensão na audiência
Um dos trechos mais tensos do depoimento de Hillary Clinton ocorreu após seu advogado comunicar que uma imagem registrada dentro da sala da audiência havia sido divulgada externamente. A deputada republicana Lauren Boebert reconheceu ter publicado uma fotografia do ambiente, mas alegou que o clique aconteceu antes da abertura oficial da sessão. O conteúdo passou a circular nas redes por meio de um influenciador conservador.
Diante da situação, Hillary demonstrou irritação, interrompeu a fala dos parlamentares e afirmou que não aceitaria a continuidade daquele tipo de conduta. Em tom firme, declarou que, se os episódios se repetissem, preferiria encerrar sua participação, mesmo que isso implicasse eventual acusação de desacato.
Em seguida, levantou-se e disse que havia concluído sua fala, o que levou à suspensão temporária da audiência. Após o retorno, seu defensor classificou o vazamento como inadequado e incompatível com a formalidade do procedimento.
Teoria da conspiração “Pizzagate”
A ex-secretária de Estado também ressaltou que havia solicitado que o depoimento fosse aberto ao público, mas que o colegiado decidiu realizar a oitiva de forma reservada.
Ao longo das horas seguintes, Boebert mencionou o chamado Pizzagate, narrativa já desmentida que alegava a existência de um suposto esquema criminoso envolvendo aliados de Hillary em uma pizzaria na capital americana.
Em resposta, Hillary rebateu de maneira categórica, afirmando que a história foi fabricada e causou danos a diversas pessoas. Ela ainda demonstrou incredulidade pelo fato de o tema ter sido levantado durante uma audiência oficial, reforçando que se trata de uma acusação infundada amplamente refutada.
Deputado questiona arquivos sobre OVNIs
Em outro trecho da audiência, o deputado republicano Eric Burlison questionou Hillary Clinton sobre a eventual liberação de documentos oficiais relacionados a objetos voadores não identificados. Durante a intervenção, ele mencionou iniciativas do empresário Laurance Rockefeller na década de 1990, período em que o tema teria sido discutido dentro do governo Clinton, além de citar uma determinação recente do ex-presidente Donald Trump para organizar arquivos com potencial de divulgação pública.
Ao responder, Hillary afirmou que defende a transparência e que informações governamentais que possam ser tornadas públicas devem, de fato, ser disponibilizadas à sociedade, desde que não comprometam questões de segurança nacional.
Bill Clinton comenta possível convocação de Trump
Em depoimento prestado separadamente, Bill Clinton foi indagado sobre a possibilidade de Donald Trump também ser chamado a testemunhar. O ex-presidente respondeu que caberia ao comitê tomar essa decisão, mas ressaltou que Trump conhecia bem o financista Jeffrey Epstein.
Clinton relatou ainda um encontro ocorrido no início dos anos 2000, em um campo de golfe, quando Trump teria comentado que mantinha amizade com Epstein, rompida posteriormente em razão de um desacordo no setor imobiliário. Segundo o democrata, o republicano não fez qualquer referência a conotações de natureza sexual nem mencionou comportamentos inadequados.
Outro ponto que chamou atenção foi uma imagem tornada pública pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, na qual Clinton aparece em uma banheira de hidromassagem ao lado de uma pessoa não identificada, com o rosto encoberto.
Foto em banheira divulgada pelo Departamento de Justiça
Ao ser questionado sobre a circunstância do registro, ele afirmou que a fotografia provavelmente foi feita em Brunei, ao término de uma extensa agenda oficial pela Ásia. De acordo com seu relato, o sultão do país teria indicado o hotel onde ele se hospedou e sugerido o uso das instalações. Clinton declarou que permaneceu poucos minutos no local antes de se recolher para descansar, alegando cansaço após a viagem.
Indagado sobre quem seria o outro indivíduo na imagem, respondeu que não sabia identificá-lo e reiterou que não houve qualquer envolvimento íntimo na ocasião. Outras fotos divulgadas pelas autoridades federais mostram a área da piscina e incluem registros de Ghislaine Maxwell, condenada a 20 anos de prisão por tráfico sexual.

Bill Clinton na banheira (Foto: Reprodução)
Bill evita comentar possível perdão a Maxwell
Na abertura de seu depoimento, Bill Clinton declarou que manteve apenas um contato passageiro com Jeffrey Epstein e que o vínculo teria sido encerrado anos antes de as acusações criminais se tornarem públicas. O ex-presidente afirmou não ter testemunhado qualquer conduta ilícita e manifestou solidariedade às vítimas do caso.
Em outro momento da oitiva, Clinton foi questionado sobre a possibilidade de o ex-presidente Donald Trump conceder perdão ou algum tipo de clemência a Ghislaine Maxwell. Ele evitou opinar diretamente sobre a hipótese, mas descreveu as ações atribuídas a Maxwell como extremamente graves.
Registros tornados públicos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos não apontam comunicações diretas entre Clinton e Epstein. No entanto, constam e-mails trocados nos anos 2000 entre Maxwell e Doug Band, que atuou como assessor do ex-presidente naquele período.
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