A Polícia Federal indiciou 12 pessoas por obstrução de investigação e lavagem de dinheiro na Operação Tank, após suspeitas de que integrantes do PCC foram avisados antes da ação policial. Oito estão foragidos e tentaram se livrar de provas, enquanto a PF apura a origem dos vazamentos.

Foto: divulgação/PF
Foto: divulgação/PF

A Polícia Federal identificou indícios de que investigados da Operação Tank, que mirou no esquema de lavagem de dinheiro do PCC (Primeiro Comando da Capital), foram avisados antes da ação realizada em 28 de agosto. Segundo o relatório parcial da Superintendência do Paraná, obtido pela imprensa, mensagens nos celulares apreendidos e a saída antecipada de alguns suspeitos de suas residências indicam que houve comunicação prévia sobre a operação.

Devido a esses indícios, 12 pessoas foram indiciadas por obstrução de investigação envolvendo organização criminosa, além de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta de instituição financeira. Entre os alvos, oito estão foragidos e tiveram seus nomes incluídos na lista de difusão vermelha da Interpol. A PF ainda pretende investigar a origem dos supostos vazamentos.

O relatório destaca conversas entre os alvos Thiago Ramos e Gerson Lemes nos dias 26 e 27 de agosto. Eles discutiram preocupação com apreensão de celulares, alternativas de deslocamento e hospedagem, além da troca de aparelhos. Thiago chegou a enviar foto de mala para Gerson, em referência ao que a PF chamou de “kit fuga”. Segundo a polícia, esses elementos reforçam a hipótese de que os investigados tiveram ciência antecipada das diligências.

Thiago e Gerson são apontados como operadores centrais do esquema de lavagem de dinheiro, fraude fiscal e adulteração de combustíveis, usando laranjas e empresas de fachada para movimentar grandes quantias. Outros suspeitos, como Rafael Gineste e João Chaves Melchior, tentaram se livrar de celulares antes da chegada da polícia, jogando aparelhos em local público ou no terreno de vizinhos. Já Roberto Augusto Leme, conhecido como Beto Louco, segue foragido e nenhum material de interesse foi encontrado em sua residência.

O relatório detalha que os suspeitos retiraram provas e passaram a noite fora de casa para evitar a prisão e a apreensão de eletrônicos, documentos e outros itens. A PF encontrou apenas caixas vazias de relógios de luxo e xícaras de café usadas recentemente. Servidores da Receita Federal relataram que os suspeitos possivelmente tiveram conhecimento prévio de vazamentos de parte da operação em território paranaense, o que poderia ter alertado os alvos.

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