O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preparado para enfrentar a resistência do Congresso e de setores produtivos na defesa do fim da escala 6×1.

Exclusivo: Boulos chama críticas ao fim da escala 6×1 de ‘terrorismo econômico’

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está preparado para enfrentar a resistência do Congresso e de setores produtivos na defesa do fim da escala 6×1. Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, concedida na quinta-feira (19) ao repórter Lucas Tadeu, no Palácio do Planalto, em Brasília, Boulos classificou as críticas empresariais como “terrorismo econômico” e disse que o impacto financeiro da medida não inviabiliza a economia.

Questionado sobre como o governo pretende convencer parlamentares e empresários de que a mudança é viável, o ministro adotou tom enfático.

“Eu vou te falar uma coisa. Toda vez que você fala em trazer um direito pro trabalhador, aparece meia dúzia de privilegiado dizendo que vai acabar com o mundo.”

Boulos comparou o momento atual às reações históricas contra direitos trabalhistas no Brasil. Ele citou a criação do salário mínimo durante o governo de Getúlio Vargas.

“Quando Getúlio Vargas, lá em 1940, criou o salário mínimo, falaram que o salário mínimo vai destruir a economia, vai gerar desemprego, os empresários vão falir, as empresas vão embora do Brasil. Depois falaram a mesma coisa no 13º, férias, tudo isso.”

Segundo o ministro, os temores não se confirmaram.

“Sabe o que aconteceu? O Brasil não foi destruído. Pelo contrário, cresceu pra caramba depois desse período, garantindo o direito pro trabalhador. Isso aí é terrorismo econômico, entendeu? Que os privilegiados sempre fazem.”

“Alguém conhece patrão que é a favor?”

Em tom provocativo, Boulos questionou a postura do empresariado diante da ampliação de direitos.

“Alguém acha que patrão vai ser a favor do direito de trabalhador? Fala aí, gente. Alguém conhece patrão que é a favor do direito de trabalhador?”

Para ele, é natural que haja resistência, mas o papel do governo seria representar quem o elegeu.

“O papel do governo Lula foi eleito pelo povo, foi eleito pelo trabalhador. O nosso papel é defender o trabalhador.”

O ministro afirmou que grandes empresários, especialmente bilionários e herdeiros, tendem a reagir com previsões alarmistas.

“É lógico que o empresário vai fazer, principalmente o grande empresário, bilionário, herdeiro, vai fazer um monte de teoria de que vai acabar as coisas, mas não vai.”

Estudo do IPEA e impacto de 1%

Boulos também citou um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), divulgado recentemente, que analisaria o impacto da mudança para os setores mais afetados.

“Teve um estudo do IPEA, que saiu semana passada, que mostrou que os grandes setores que vão ser atingidos pelo fim da escala 6×1 — e nós estamos falando em benefício de mais de 30 milhões de trabalhadores que vão ter um dia a mais de descanso — pra esses grandes setores, o impacto no custo operacional total das empresas vai ser em torno de 1%.”

Ao concluir, foi categórico:

“Então, não cola.”

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