Cerca de 24 laudos periciais foram elaborados em menos de um mês para auxiliar a Polícia Civil nas investigações. A partir dos laudos da Polícia Técnico-Científica, a polícia concluiu que a policial militar Gisele Alves Santana (32), foi assassinada com um tiro na cabeça pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto (53).
Cerca de 24 laudos periciais foram elaborados em menos de um mês para auxiliar a Polícia Civil nas investigações. A partir dos laudos da Polícia Técnico-Científica, a polícia concluiu que a policial militar Gisele Alves Santana (32), foi assassinada com um tiro na cabeça pelo marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto (53). O suspeito foi preso nesta quarta-feira (19).
O crime ocorreu no dia 18 de fevereiro, no apartamento do casal, no bairro do Brás, no centro de São Paulo. O inquérito foi encerrado na terça-feira (17), com a solicitação da prisão do oficial com o indiciamento por feminicídio e fraude processual, por supostamente adulterar a cena do crime. O caso foi inicialmente investigado como suicídio e como morte suspeita, mas foi reclassificado como feminicídio após a análise dos exames periciais.
Laudos foram determinantes para a conclusão
Segundo os investigadores, dois pontos analisados pelos peritos foram decisivos para afastar a hipótese de suicídio: a trajetória do disparo que atingiu a cabeça da vítima e a profundidade dos ferimentos.
Os exames foram realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo Instituto Médico Legal (IML). Ao todo, os documentos periciais somam cerca de 70 páginas com informações técnicas. Os exames analisaram o corpo e o local do crime.
Entre os principais laudos que embasaram a conclusão da investigação estão:
- Necroscópico: indicou que Gisele apresentava marcas de dedos no pescoço e possivelmente desmaiou antes de ser atingida pelo tiro.
- Trajetória do disparo: apontou que o tiro foi efetuado de baixo para cima e com o cano da arma encostado na cabeça.
- Exumação: permitiu a realização de novos exames no corpo da vítima para esclarecer detalhes das lesões.
- Toxicológico: não encontrou vestígios de álcool ou drogas no organismo da policial.
- Residuográfico: não detectou resíduos de pólvora nas mãos da vítima nem nas do marido.
- Perícia no local: indicou que Gisele foi encontrada caída e ainda segurando a arma, situação considerada incomum em casos de suicídio.
A investigação também apontou outras inconsistências na versão apresentada pelo coronel. Vizinhos relataram ter ouvido um disparo, mas o pedido de socorro feito por ele ocorreu cerca de 29 minutos depois. Além disso, o oficial afirmou que estava tomando banho quando ouviu o tiro, mas socorristas relataram que ele estava com o corpo seco quando chegaram ao apartamento.
Peritos também encontraram vestígios de sangue da vítima no box do banheiro e em outros cômodos do imóvel após o uso de luminol, substância utilizada para detectar marcas de sangue invisíveis a olho nu.
Versão do coronel
O BacciNotícias procurou Geraldo Leite Rosa Neto, que preferiu não se manifestar. Em declarações anteriores, o advogado afirmou que o oficial é inocente. O espaço segue aberto.
O tenente-coronel sustenta que a esposa tirou a própria vida após uma discussão em que ele teria pedido o divórcio. Segundo o relato dele, o disparo ocorreu enquanto ele estava no banho.
Familiares da policial, no entanto, contestam essa versão desde o início da investigação. Parentes entregaram à polícia mensagens, áudios e relatos que apontaram um relacionamento marcado por controle e ciúmes. De acordo com os depoimentos, o oficial teria imposto restrições à rotina da esposa.
Paralelamente à investigação da Polícia Civil, a Polícia Militar instaurou um Inquérito Policial Militar para apurar denúncias de ameaças e comportamento abusivo atribuídos ao coronel. As apurações seguem em andamento.
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