O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso nesta quarta-feira (18), em São Paulo, suspeito de envolvimento na morte da esposa, a policial militar Gisle Alves Santana, de 32 anos, atingida por um tiro na cabeça.
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi preso nesta quarta-feira (18), em São Paulo, suspeito de envolvimento na morte da esposa, a policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, atingida por um tiro na cabeça.
A prisão foi solicitada após o avanço das investigações da Polícia Civil, que apontaram diversos indícios de que o caso não se trata de suicídio, como alegado inicialmente, mas sim de feminicídio.
Laudos periciais foram decisivos
De acordo com a Polícia Técnico-Científica, exames realizados após a exumação do corpo foram fundamentais para mudar o rumo do caso.
Os peritos apontaram que a vítima pode ter sido imobilizada pelo pescoço antes do disparo e possivelmente perdeu a consciência antes de ser atingida. Além disso, a trajetória da bala e a profundidade das lesões não seriam compatíveis com um suicídio.
Outro ponto relevante é que a cena do crime pode ter sido alterada. A análise indicou que havia sangue em locais considerados incompatíveis com a versão apresentada, além da posição do corpo não condizer com um ato voluntário.
Contradições chamaram atenção
- Horário do disparo
Testemunhos e registros também levantaram dúvidas sobre o que aconteceu no apartamento.
Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo por volta das 7h28. No entanto, o primeiro contato do tenente-coronel com a Polícia Militar ocorreu apenas às 7h57 — cerca de meia hora depois.
Poucos minutos depois, ele acionou o Corpo de Bombeiros afirmando que a esposa ainda estava viva.
Outro ponto questionado é a versão de que ele estaria no banho no momento do disparo. Socorristas afirmaram que o oficial estava completamente seco quando chegaram ao local, sem sinais de que havia acabado de sair do chuveiro.
- Cena levantou suspeitas
Equipes de resgate também estranharam a posição da arma, que estava “encaixada” na mão da vítima de forma incomum em casos de suicídio.
Além disso, o sangue já estava coagulado e não havia cartucho de munição no local, o que reforçou as suspeitas dos investigadores.
Os socorristas ainda relataram que o comportamento do marido chamou atenção pela frieza. Segundo eles, o oficial não demonstrava desespero, falava calmamente e não apresentava marcas de sangue, o que indicaria que não tentou prestar socorro à vítima.
- Ligação
A investigação também apura uma ligação feita pelo tenente-coronel a um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo na manhã do ocorrido.
- Limpeza na cena do crime
Outro fato que levantou questionamentos foi a entrada de três policiais femininas no apartamento cerca de 10 horas após a ocorrência, supostamente para realizar a limpeza do local. As agentes devem prestar depoimento.
Caso mudou de rumo
Inicialmente tratado como suicídio, o caso passou a ser investigado como morte suspeita e, posteriormente, como feminicídio após os novos laudos.
Familiares da vítima afirmam que ela vivia um relacionamento abusivo e planejava se separar.
As investigações seguem em andamento para esclarecer completamente o caso e confirmar a responsabilidade do suspeito.
