Áudio exclusivo enviado ao BacciNotícias mostra que o tenente-coronel Neto atacou o advogado da família da PM Gisele e o acusou de mentir. A gravação foi encaminhada ao repórter Lucas Tadeu um dia antes da prisão do oficial, que ocorreu nesta quarta-feira (18). No conteúdo, ele também cobra espaço na imprensa para se defender.

Exclusivo: antes de ser preso, tenente-coronel atacou advogado de acusação - Foto: Reprodução/TV Record
Exclusivo: antes de ser preso, tenente-coronel atacou advogado de acusação - Foto: Reprodução/TV Record

Um áudio exclusivo obtido pelo BacciNotícias revela que o tenente-coronel Neto, acusado de assassinar sua esposa, a policial militar Gisele, fez duros ataques ao advogado de acusação um dia antes de ser preso.

A gravação foi enviada na manhã de terça-feira (17) ao repórter Lucas Tadeu. No conteúdo, o oficial questiona a atuação da imprensa e direciona críticas diretas ao advogado da família da vítima, identificado como doutor Miguel, a quem acusa reiteradamente de mentir.

Logo no início do áudio, o tenente-coronel faz um apelo à imprensa e questiona a condução das entrevistas:
“Por que a imprensa imparcial, que busca sempre a verdade dos fatos, na entrevista do doutor Miguel, não perguntou a ele por que, na terça-feira, dia 10, quando saiu o laudo oficial dizendo que o tenente-coronel Neto estava falando a verdade, que a Gisele se suicidou com um tiro da direita para a esquerda, de baixo para cima?”

Na sequência, ele acusa o advogado de divulgar uma informação falsa sobre um suposto pedido de prisão:
“Por que, na terça-feira, doutor Miguel, o senhor plantou falsamente mais uma mentira nos órgãos de imprensa, na mídia eletrônica, na TV, nos sites de notícias, nos perfis de Instagram, dizendo que o delegado pediu a prisão preventiva do tenente-coronel Neto? Uma mentira.”

O oficial insiste que, naquele momento, a medida solicitada foi outra:
“O delegado pediu o sigilo do inquérito na terça-feira, não a prisão preventiva do tenente-coronel Neto. Por que o senhor mentiu, doutor Miguel?”

Áudio do tenente-coronel

No áudio, o tenente-coronel também rebate declarações que teriam sido atribuídas a ele:
“Por que, na quarta-feira, o senhor mentiu de novo, doutor Miguel, falando que o tenente-coronel Neto declarou que, se fosse preso, iria tirar a própria vida? Por que o senhor inseriu mais uma mentira na mídia, doutor Miguel, na quarta-feira, dia 11?”

Ele segue listando episódios que considera falsos:
“Por que, na quinta-feira, dia 12, mais uma mentira falsamente plantada na imprensa? O senhor falou que o tenente-coronel Neto tinha sido preso e escoltado pela corregedoria para passar por exame de corpo de delito no Hospital da Polícia Militar e depois foi encaminhado ao presídio militar Romão Gomes?”

Em tom irônico, o oficial continua as críticas:
“E na sexta-feira, para fechar com chave de ouro, o tal do ‘sextou’, doutor Miguel, mais uma mentira que ele tirou do saco de mentiras que ele tem, que é um saco enorme, né? Porque cada dia é uma mentira diferente.”

O tenente-coronel também reage a acusações sobre seu comportamento dentro de casa:
“Pergunte a ele por que, na sexta-feira, dia 13, o senhor plantou mais uma mentira, dizendo que o tenente-coronel Neto, além de tratar com violência, agressivo com a esposa e com a filhinha dela, também tratava mal os animais?”

Na sequência, ele tenta rebater essas alegações com exemplos:
“Está aqui, os dois gatos gordos, enormes, bem tratados, vão ao veterinário, tomam banho, se alimentam bem, ração disponível o dia inteiro, água, dormem na cama, a vida de rico que os gatos têm. Cachorrinho, a mesma coisa, super bem tratado, está gordo, obeso, tanto que comia.”

Ao longo do áudio, o oficial volta a questionar a credibilidade do advogado:
“Por que tantas mentiras, doutor Miguel? O que te leva a mentir tanto, descaradamente?”

Ele também faz um apelo direto aos jornalistas:
“Entrevistem ele, perguntem isso para ele. Sejam justos, sejam equânimes, sejam imparciais, deem a mesma possibilidade de argumentos e de perguntas para ambos os lados.”

Por fim, o tenente-coronel afirma que não teve o mesmo espaço para se defender:
“Assim como vocês dão a possibilidade para o outro lado me acusar injustamente, me caluniar, me difamar, por que vocês não dão a mesma chance para mim? Perguntem para o doutor Miguel, ou entrevistem aquele advogado mentiroso.”

O tenente-coronel foi preso nesta quarta-feira (18). A Polícia Civil segue investigando o caso, que envolve a morte da policial militar Gisele.

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